WSL aponta a £140M em 2026-27, mas perdas disparam e dependência dos clubes masculinos persiste
Liga feminina inglesa cresce 40% em 2024-25 e projecta £121M em 2025-26, porém o rácio salários/receitas ainda é elevado e o fosso entre clubes atinge 16:1.
O que aconteceu
A Women’s Super League (WSL), primeira divisão feminina em Inglaterra, gerou £90 milhões (€105,3 milhões) em 2024-25, quase +40% face ao ano anterior, segundo o Annual Review of Football Finance do Deloitte Sports Business Group. A Deloitte projeta £121 milhões (€141,6 milhões) em 2025-26 e £140 milhões (€163,9 milhões) em 2026-27. As receitas provêm de comercial (45%), consolidadas (27%), bilhética/matchday (16%) e direitos audiovisuais (11%). Apesar do crescimento, as perdas antes de impostos somaram £42 milhões (€49,1 milhões), com o Chelsea a concentrar £17 milhões (€19,9 milhões) negativos, em parte pela compra do estádio Kingsmeadow.
Por Que Importa
- Escala a caminho: a WSL caminha para £140M em negócio anual, tornando-se referência europeia em monetização do futebol feminino.
- Mix de receitas a mudar: o comercial poderá chegar a 50% em 2025-26 e 52% em 2026-27 (até £73M), reduzindo dependência relativa de bilhética e direitos.
- Sustentabilidade em teste: perdas agregadas sobem 53%; apesar do rácio salários/receitas baixar para 76% (de 81%), continua elevado para break-even.
- Dependência estrutural: cinco clubes registaram receitas intragrupo que somam 27% da faturação total, sinal de apoio dos departamentos masculinos e de risco de modelo ainda subsidiado.
Números
- Top receitas 2024-25: Arsenal £21,5M, Chelsea £21,3M; Man. United £10,7M; Man. City £10,6M.
- Receitas médias por clube: £7,5M (+£2,1M YoY); todos os 12 clubes acima de £1M.
- Fosso competitivo: razão 16:1 entre o clube com mais e menos receitas; top-4 gera 71% do total (+5 p.p.).
- Massa salarial: £68M (+30%); gasto médio £5,7M; rácio salários/receitas 76%.
- Excepções no crescimento: Everton (-7%, -£0,2M) e West Ham (-4%, -£0,1M).
E agora?
- Novas regras económicas (2025-26): teto de custo salarial ligado a receitas do futebol feminino e salário mínimo, para disciplinar gastos e aproximar o retorno do investimento (ROI) de positivo.
- Expansão 2026-27: o alargamento exigirá mecanismos redistributivos e reforço de direitos e comercial para mitigar o desequilíbrio 16:1 e reduzir perdas recorrentes.