Desporto feminino acelera mudança de modelo: bilhética e direitos aproximam-se do topo
Relatório MADHER aponta para mais de 3 mil milhões de dólares em 2026, com crescimento a três dígitos e maior equilíbrio entre receitas comerciais, de dia de jogo e direitos audiovisuais.
O que aconteceu
O relatório “Liderança e Visibilidade no desporto feminino”, da MADHER, projeta que a indústria do desporto feminino ultrapasse 3.000 milhões de dólares em faturação em 2026, após estimados 2.400 milhões em 2025 (Deloitte). As receitas comerciais poderão atingir 1.400 milhões de dólares (45% do total) em 2026, enquanto a bilhética/dia de jogo sobe de 748 milhões (2025) para 911 milhões (2026), cerca de 30%. Os direitos audiovisuais são estimados em 765 milhões de dólares em 2026 (+39% face a 2025), suportados por acordos como o da National Women’s Soccer League (NWSL) com CBS, ESPN, Prime e Scripps Sports, e o novo contrato da Women’s National Basketball Association (WNBA).
Por Que Importa
- Maior equilíbrio entre fontes de receita (comercial, bilhética e transmissão) aproxima o desporto feminino do modelo económico do desporto masculino, sinal de maturação do mercado.
- O crescimento da assistência em estádios/pavilhões reduz a dependência da televisão e melhora margens por adepto (consumo no recinto, hospitalidade e experiências).
- A valorização dos direitos audiovisuais (ex.: NWSL multiplica por 40 o valor anual) cria referências para renegociações em ligas e clubes, elevando o retorno do investimento (ROI) de patrocinadores.
- Expansão do público do adepto “casual exigente” amplia a audiência comercializável e incentiva conteúdos de entretenimento desportivo (sportainment), abrindo novas linhas de receita.
Números
- Faturação: 692 M$ (2022) → 2.400 M$ (2025) → >3.000 M$ (2026) (+340% vs 2022).
- Comercial: 1.400 M$ (2026), 45% do total.
- Bilhética/dia de jogo: 748 M$ (2025) → 911 M$ (2026), 30% do total.
- Direitos audiovisuais: 551 M$ (2025) → 765 M$ (2026), +39%.
- Desigualdade salarial: média global futebol feminino 10.900 $/ano; nenhuma mulher no top-100 Forbes (2024); Coco Gauff 33 M$ (2025); n.º 1 do draft WNBA 76.000 $ vs >10 M$ no draft NBA.
Entre Linhas
- A aposta em experiências no recinto (concertos, ativações imersivas) visa converter audiência digital em receita presencial e elevar o ticket médio.
- Persistem riscos de subinvestimento em ligas com bases frágeis, o que pode travar a captura integral do crescimento projetado.