Mundial 2026 pode obrigar jogadores a declarar impostos em até cinco países

Isenções cobrem a FIFA e federações, mas não os atletas: regime fiscal de EUA, Canadá e México impõe múltiplas declarações e taxas diferenciadas, mitigadas por acordos para evitar dupla tributação

2 jul 2026 • há 8 horas • Leitura original: City A.M. / Adam Jefferies (PKF Littlejohn)
Mundial 2026 pode obrigar jogadores a declarar impostos em até cinco países — City A.M. / Adam Jefferies (PKF Littlejohn)

O que aconteceu

Com o Mundial de 2026 a decorrer sobretudo nos Estados Unidos (com jogos também no Canadá e México), os jogadores podem enfrentar obrigações fiscais simultâneas em vários países. Enquanto a FIFA e algumas federações beneficiam de isenções negociadas com os anfitriões, essas isenções não abrangem atletas nem staff. As taxas e deveres variam por jurisdição e dependem de acordos para evitar dupla tributação (Double Taxation Agreements, DTA), do local de cada jogo e do estatuto laboral do atleta.

Por Que Importa

  • Impacto directo no rendimento líquido dos jogadores e, por arrasto, no custo total para clubes e selecções (seguros, honorários de consultoria, adiantamentos).
  • Risco de dupla tributação sem DTA aplicável, sobretudo para atletas de países sem acordos com EUA/Canadá/México, pressionando negociações salariais e prémios.
  • Complexidade administrativa: múltiplas declarações fiscais (federal e estaduais nos EUA, mais Canadá e México) aumentam custos de compliance e risco de penalizações.
  • Estratégia contratual e de carreira: transferências no verão podem acrescentar mais uma jurisdição fiscal ao ano-calendário do atleta, influenciando timings de assinatura e estrutura de remuneração.

Números

  • EUA: imposto federal geralmente 30% (pode variar com DTA) + impostos estaduais que vão de 0% (Flórida) a 13,3% (Califórnia).
  • Canadá: retenção 15% sobre pagamentos (possível dispensa/ajuste para residentes de países com DTA).
  • México: 25% sobre rendimento bruto, ou 35% sobre rendimento líquido após despesas dedutíveis.
  • Exemplo ilustrativo: jogador inglês residente na Arábia Saudita (sem DTA EUA–Arábia) pode enfrentar 30%–40,75% nos EUA, vs. residente no Reino Unido (com DTA) 15%–25,75% nos EUA, mas com 45% no Reino Unido (crédito pelo imposto pago nos EUA).

Entre Linhas

  • A FIFA beneficia de isenções negociais com países-anfitriões; federações podem obter isenções/dispensas específicas (nos EUA, por via de pedido formal). Jogadores e staff ficam fora deste perímetro, suportando a carga fiscal direta.
  • Atletas de nações sem DTA com os anfitriões (ex.: Cabo Verde, Curaçau) podem ser os mais penalizados em termos de imposto efetivo.

E agora?

  • Clubes, selecções e agentes deverão planear a estrutura de pagamentos (prémios, direitos de imagem, diárias) e o calendário para minimizar a carga fiscal total, assegurando créditos por impostos estrangeiros.
  • Recomenda-se a preparação de declarações multijurisdicionais e recolha de comprovativos de presença por jogo, para alocar rendimentos por país de forma defensável.

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