Roma e Juventus correm para fechar o exercício; Inter, Napoli, Milan e Atalanta estáveis. Caso Como chega à UEFA em 2026/27
Fecho de contas a 30 de junho expõe estratégias distintas: evitar vendas em baixa, gerir acordos com a UEFA e preparar multas e limites de custos de plantel.
O que aconteceu
O dia 30 de junho marca o fecho formal da época 2025/26 e do exercício contabilístico para vários clubes da Serie A. Roma e Juventus avaliaram operações de última hora para cumprir metas de balanço e do Fair Play Financeiro da UEFA, enquanto Inter, Napoli, Milan e Atalanta fecharam o período com maior folga. O Como, recém-apurado para a Liga dos Campeões, só será monitorizado pela UEFA a partir de 2026/27.
Por Que Importa
- Cumprimento do Fair Play Financeiro determina multas, limites à inscrição de jogadores e restrições orçamentais, com impacto direto na competitividade europeia.
- O fecho de exercícios condiciona a geração de mais‑valias e a gestão do custo da plantel (teto de 70% dos proveitos, regra da UEFA), afetando decisões de mercado e de salários.
- Clubes com acordos transacionados (settlement agreements) enfrentam penalizações condicionais e metas intermédias; falhas podem levar a exclusões das competições.
- A ausência da Liga dos Campeões reduz receitas de transmissões, prémios UEFA e bilhética premium, pressionando resultados e políticas de contratações.
Contexto
- Roma: após sanção de €6M no último exercício, procura sair do acordo com a UEFA sem “vendas em saldo”, admitindo uma multa de €10–12M para encerrar o dossiê (decisão final da UEFA não confirmada).
- Juventus: discutiu-se a necessidade de mais‑valia de €12–13M (associada a Fabio Miretti), mas o novo CEO, Giovanni Carnevali, indicou não haver urgência em vender. O próximo acordo com a UEFA abrangerá 2023–2025; o exercício fechado a 30/6 entra só no monitorização seguinte.
- Inter e Napoli: cenário sólido. A Inter registou primeiro lucro recente e saiu do acordo com a UEFA; o Napoli, apesar de prejuízo em 2024/25, vinha de dois exercícios com lucros elevados.
- Milan: três lucros seguidos entre 2023–2025; 2026 ressentiu‑se da ausência da Champions, mitigada por mais‑valias; 2026/27 terá impacto atenuado pela Liga Europa. Cumpriu metas e saiu do acordo.
- Atalanta: 10 lucros consecutivos até 2025; mesmo com Conference League, as vendas de Ederson (Manchester United) e Palestra (Chelsea) reforçarão o próximo exercício.
Números
- Como: perdas de €47M (2024) e €105M (2025); 2026 também negativo. Regra de “football earnings” permite défice agregado de €5M, ampliável até €60M se coberto por capital/entradas (com possível acréscimo de €10M por exercício mediante boa saúde financeira). O clube excederá estas margens e deverá assinar um acordo com a UEFA (multa e eventuais limites de plantel).