Premier League alarga domínio nos activos mais valiosos; Itália e Alemanha perdem tração
Serie A cai de 14 para 5 jogadores no top-100 de valor esperado de transferência; Bundesliga encolhe para 8. Autoridades reagem com medidas estruturais em ambos os países.
O que aconteceu
A concentração de valor dos jogadores de elite intensificou-se: clubes da Premier League reúnem 57 dos 100 jogadores mais valiosos do mundo (face a 45 em 2022), segundo a ferramenta de Valor de Transferência Esperado do Off The Pitch. A Serie A desceu para 5 representantes e a Bundesliga para 8. Em paralelo, a federação italiana (FIGC) reconheceu desafios estruturais e a Liga Alemã (DFL) lançou medidas para reforçar a formação.
Por Que Importa
- Receita e poder de compra: a Premier League reforça a sua capacidade para atrair e reter talento, alavancando receitas de transmissões e comerciais, o que pode ampliar o fosso competitivo europeu.
- Competitividade internacional: o recuo da Serie A (5 jogadores; só Alessandro Bastoni é italiano) e da Bundesliga (8) pode traduzir-se em menor visibilidade, prémios e coeficientes UEFA a médio prazo.
- Política fiscal e talento: a reversão do “Decreto Crescita” em Itália retirou um incentivo-chave para salários líquidos competitivos, reduzindo a atração de estrelas estrangeiras.
- Pipeline de formação: a DFL criou uma nova liga Sub-21 para mitigar a falta de minutos na transição da academia para seniores, visando proteger o valor dos activos locais.
Contexto
- Em 2022, a Serie A tinha 14 jogadores no top-100; em 2026 tem 5 e as suas posições caíram (top-3 da liga agora nos lugares 37.º, 46.º e 80.º; antes 8.º, 23.º e 37.º).
- 99 dos 100 mais valiosos jogam nas cinco principais ligas europeias, mas apenas 47 são naturais desses cinco países. Itália tem hoje tantos jogadores no top-100 como Equador; Itália e Alemanha ficam atrás de Brasil, Portugal, Argentina e Países Baixos.
- Em Itália, o relatório “Estado de Saúde do Futebol Italiano” seguiu-se ao falhanço da qualificação para o Mundial, e à saída do presidente Gabriele Gravina (não confirmado se definitiva).
Entre Linhas
- Ex-CFO do Parma, Valerio Casagrande defende um incentivo fiscal mais seletivo: menos beneficiários mas com maior estímulo para atrair estrelas, sem travar a progressão dos italianos. Aponta critérios ligados a experiência UEFA e internacionalizações, em vez de tetos salariais.
E agora?
- Itália: debate sobre um novo enquadramento fiscal “cirúrgico” poderá regressar à agenda (não confirmado), visando elevar a qualidade média e valorizar activos.
- Alemanha: monitorização do impacto da liga Sub-21 e de um grupo de trabalho DFL/DFB; métricas-alvo incluem minutos Sub-21, valorização de mercado e transições para equipas principais.