Reino Unido quer travar ‘Big Tech’ nos direitos desportivos e reforçar acesso gratuito a eventos nucleares
Consulta pública propõe estender a proteção legal aos direitos on-demand e impedir que plataformas de transmissão online fechem o acesso a ‘joias da coroa’ como Jogos Olímpicos, Wimbledon, Taça de Inglaterra e Mundial FIFA.
O que aconteceu
O Governo britânico abriu uma consulta (Livro Verde) sobre o futuro da emissão/transmissão que visa impedir plataformas de transmissão online (streaming) como a Netflix e a Amazon Prime Video de adquirirem direitos de eventos desportivos classificados como “joias da coroa”. O ministro para as indústrias criativas, media e artes, Ian Murray, defendeu manter estes momentos nacionais acessíveis gratuitamente, em direto e em diferido. A proposta também estende a proteção legal aos direitos on-demand, hoje fora do enquadramento atual.
Por Que Importa
- Pode reconfigurar o mercado de direitos no Reino Unido, restringindo a entrada de gigantes digitais em eventos premium e preservando o papel de operadores em sinal aberto.
- A proteção dos direitos on-demand reduz a assimetria regulatória com plataformas globais e pode elevar o valor dos pacotes gratuitos para radiodifusores tradicionais.
- Clubes, federações e titulares de direitos terão de reavaliar estratégias comerciais entre pacotes em direto e conteúdos diferidos, com potenciais impactos em receitas e partilhas internacionais.
- A medida surge após a criação do Regulador Independente do Futebol, reforçando um movimento regulatório sobre governação e financiamento do desporto.
Contexto
- O regime atual garante acesso gratuito a finais de Wimbledon, final da Taça de Inglaterra (FA Cup) e Mundial da FIFA, entre outros. As plataformas globais têm aumentado a oferta de desporto em direto, mas o seu conteúdo em direto não é regulado como o on-demand.
- O Governo afirma pretender legislar “quando a agenda parlamentar o permitir” (calendário não confirmado), após a consulta.
E agora?
- Se aprovado, o enquadramento poderá vedar a compra exclusiva destes eventos por plataformas globais e obrigar a sublicenciação ou janelas gratuitas, preservando a cobertura nacional.
- Titulares de direitos podem segmentar melhor pacotes (direto vs. on-demand) e explorar parcerias híbridas com radiodifusores gratuitos e operadores pagos, mitigando perdas potenciais de licitação das tecnológicas.