Reino Unido quer travar ‘Big Tech’ nos direitos desportivos e reforçar acesso gratuito a eventos nucleares

Consulta pública propõe estender a proteção legal aos direitos on-demand e impedir que plataformas de transmissão online fechem o acesso a ‘joias da coroa’ como Jogos Olímpicos, Wimbledon, Taça de Inglaterra e Mundial FIFA.

24 jun 2026 • há 9 horas • Leitura original: City A.M. (Matt Hardy)
Reino Unido quer travar ‘Big Tech’ nos direitos desportivos e reforçar acesso gratuito a eventos nucleares — City A.M. (Matt Hardy)

O que aconteceu

O Governo britânico abriu uma consulta (Livro Verde) sobre o futuro da emissão/transmissão que visa impedir plataformas de transmissão online (streaming) como a Netflix e a Amazon Prime Video de adquirirem direitos de eventos desportivos classificados como “joias da coroa”. O ministro para as indústrias criativas, media e artes, Ian Murray, defendeu manter estes momentos nacionais acessíveis gratuitamente, em direto e em diferido. A proposta também estende a proteção legal aos direitos on-demand, hoje fora do enquadramento atual.

Por Que Importa

  • Pode reconfigurar o mercado de direitos no Reino Unido, restringindo a entrada de gigantes digitais em eventos premium e preservando o papel de operadores em sinal aberto.
  • A proteção dos direitos on-demand reduz a assimetria regulatória com plataformas globais e pode elevar o valor dos pacotes gratuitos para radiodifusores tradicionais.
  • Clubes, federações e titulares de direitos terão de reavaliar estratégias comerciais entre pacotes em direto e conteúdos diferidos, com potenciais impactos em receitas e partilhas internacionais.
  • A medida surge após a criação do Regulador Independente do Futebol, reforçando um movimento regulatório sobre governação e financiamento do desporto.

Contexto

  • O regime atual garante acesso gratuito a finais de Wimbledon, final da Taça de Inglaterra (FA Cup) e Mundial da FIFA, entre outros. As plataformas globais têm aumentado a oferta de desporto em direto, mas o seu conteúdo em direto não é regulado como o on-demand.
  • O Governo afirma pretender legislar “quando a agenda parlamentar o permitir” (calendário não confirmado), após a consulta.

E agora?

  • Se aprovado, o enquadramento poderá vedar a compra exclusiva destes eventos por plataformas globais e obrigar a sublicenciação ou janelas gratuitas, preservando a cobertura nacional.
  • Titulares de direitos podem segmentar melhor pacotes (direto vs. on-demand) e explorar parcerias híbridas com radiodifusores gratuitos e operadores pagos, mitigando perdas potenciais de licitação das tecnológicas.

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