Lega Serie A admite criar media company para impulsionar direitos internacionais
Ezio Maria Simonelli reconhece atraso nas receitas fora de Itália e estuda sociedade veículo com investidores financeiros, sem ceder governação
O que aconteceu
O presidente da Lega Serie A, Ezio Maria Simonelli, afirmou no “Merger & Acquisition Summit 2026” (Il Sole 24 Ore) que a liga está a avaliar, com consultores, a criação de uma media company dedicada à exploração dos direitos televisivos internacionais, com entrada de novos investidores financeiros. A iniciativa está em fase embrionária (não confirmado) e não implicaria cedência de governação da liga.
Por Que Importa
- Receitas internacionais da Serie A ficam atrás de concorrentes: clubes como AC Milan e Inter geram apenas €70–80 milhões/ano em bilheteira e estádio, face aos €350 milhões do Real Madrid, afetando competitividade e investimentos em plantéis.
- A apresentação televisiva sofre com estádios desatualizados e horários pouco amigáveis para mercados-chave (ex.: jogos às 20h45 penalizam o Médio Oriente), reduzindo o valor dos direitos no estrangeiro.
- Uma sociedade veículo com capital de fundos pode acelerar investimento em produto audiovisual, distribuição e comercialização global, preservando a governação da Lega Serie A.
- A Lega já opera como media company (produção de imagens e comercialização), com cerca de €1,5 mil milhões de faturação alavancados por direitos; o novo veículo visaria especificamente o crescimento fora de Itália.
Contexto
- Mais de metade dos clubes da Serie A têm propriedades estrangeiras, sinal de atratividade apesar das “arretradas” infraestruturas identificadas por Simonelli.
- A discrepância de receitas de estádio impacta performance europeia: mais receita gera melhores plantéis, mais percursos nas competições e efeito multiplicador no ecossistema.
E agora?
- A liga estuda modelos de investimento “financeiro puro” numa sociedade veículo para direitos internacionais, sem lugares na governação para os fundos (modelo a definir; valores não divulgados).
- Prioridades operacionais: modernização de estádios, ajuste de calendários/horários para mercados asiático e do Médio Oriente e melhoria do produto televisivo para aumentar o preço por território.
- Próximos passos dependem de dados dos consultores; Simonelli não antecipa oposição significativa, mas admite que alinhar interesses de todos os clubes será complexo.