CBF perde receita de TV em 2025 com autonomização de direitos por Libra e FFU
Queda de 8,4% na receita total e de 12% em direitos de transmissão; défice de €31,44 M impulsionado por custos operacionais e administrativos (+110,5%).
O que aconteceu
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reportou em 2025 uma quebra de receita para €205,45 M (R$ 1,193 B), menos 8,4% face a 2024, refletindo a passagem da negociação dos direitos de transmissão das Séries A e B do Brasileirão para blocos de clubes — Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e Futebol Forte União (FFU). O exercício fechou com défice de €31,44 M (R$ 182,48 M), invertendo o superavit do ano anterior.
Por Que Importa
- A autonomização dos direitos de mídia das Séries A e B retirou à CBF uma das suas principais fontes de direitos audiovisuais e comerciais, que caíram 12% para €109,78 M (R$ 637,903 M).
- A dispersão de contratos entre Globo, Prime Video (plataforma de transmissão online), Record e CazéTV fragmenta audiências e receitas, forçando a CBF a depender mais de Copa do Brasil, Séries C/D, futebol feminino e formação.
- O choque de custos operacionais/administrativos (+110,5% para €75,45 M; R$ 438,354 M) agravou o défice, pressionando a eficiência da entidade apesar de caixa robusto.
- Com federações e seleções a absorverem investimento crescente, a CBF terá de reequilibrar portefólio comercial e controlo de gastos para preservar liquidez e capacidade de investimento.
Números
- Receita total: €205,45 M (R$ 1,193 B) vs. €224,20 M (R$ 1,302 B) em 2024.
- Direitos de transmissão e comerciais: €109,78 M (R$ 637,903 M), -12%.
- Patrocínios: €75,35 M (R$ 437,931 M), -3%.
- Investimento total no futebol: €203,12 M (R$ 1,18 B), +9%.
- Seleções: €72,31 M (R$ 420 M); principal masculina €48,35 M (R$ 281 M); femininas €16,24 M (R$ 94,251 M); formação €7,72 M (R$ 44,709 M).
- Competições CBF: €82,15 M (R$ 477,2 M).
- Repasses a 27 federações: €13,78 M (R$ 80 M), +32%.
- Caixa e equivalentes: €343,62 M (R$ 1,99 B); ativo circulante €416,50 M (R$ 2,41 B).
- Passivo total: €367,95 M (R$ 2,131 B); provisões para contingências: €115,64 M (R$ 671,6 M).
Contexto
- Séries A e B deixaram de constar nas receitas da CBF, sinalizando que a captação passou para Libra e FFU. O presidente Samir Xaud confirmou a saída da Série B do “guarda‑chuva” da entidade.
- Auditoria independente (BDO RCS) com opinião sem reservas valida as demonstrações financeiras de 31/12/2025.
E agora?
- A CBF deverá reforçar a monetização de propriedades próprias (Copa do Brasil, Séries C/D, feminino e base) e renegociar patrocínios para compensar a perda das Séries A/B.
- Eficiência operacional será crítica para reduzir o desvio entre investimento desportivo e sustentabilidade financeira num cenário de direitos cada vez mais descentralizado.