De Laurentiis propõe revolução nas regras e corte de clubes para proteger receitas e audiências
Dono do Napoli defende partes de 25 minutos, ‘sin-bin’ em vez de cartões, revisão do fora‑de‑jogo e Serie A com 16 equipas e mínimo de 1 milhão de adeptos por clube.
O que aconteceu
Aurelio De Laurentiis, proprietário do Napoli, expôs um pacote de mudanças estruturais para o futebol, visando captar públicos jovens e reforçar a atratividade televisiva: partes de 25 minutos com tempo efetivo, substituição de cartões amarelos/vermelhos por exclusões temporárias (“sin-bin”), revisão profunda do fora‑de‑jogo para aumentar golos e redução da Serie A de 20 para 16 equipas, excluindo clubes com menos de 1 milhão de adeptos. Criticou o aumento de jogos por FIFA e UEFA e defendeu maior controlo dos clubes sobre as receitas das competições.
Por Que Importa
- Direitos e audiências: jogos mais curtos e com mais golos visam elevar a retenção em televisão e plataformas de transmissão online (streaming), respondendo à queda de atenção dos mais jovens.
- Valorização de direitos: menos jornadas e confrontos mais “premium” podem subir o preço por jogo para emissores como Sky e DAZN, reduzindo partidas de baixo interesse.
- Sustentabilidade dos planteis: calendário enxuto diminui lesões e protege ativos (jogadores) nos quais os clubes investem, mitigando erosão de valor causada por excesso competitivo.
- Governação e receitas: ao criticar o modelo “um membro, um voto” e a expansão de competições, propõe maior poder dos clubes na gestão e repartição de receitas, reposicionando o centro económico do jogo.
Contexto
- De Laurentiis, produtor de cinema e dono do Napoli desde 2004, levou o clube de insolvência à conquista de títulos nacionais e presença regular na Europa, mantendo discurso crítico sobre tournées longínquas e preços altos de bilhetes de competições internacionais.
- Defende critérios de entrada na liga baseados em solidez financeira dos proprietários e massa adepta mínima, argumentando que jogos com baixo potencial de audiência depreciam o pacote global de direitos.
Entre Linhas
- A exclusão de “clubes de pequena cidade” colide com o princípio desportivo de mérito e promoção/descida, podendo enfrentar resistência regulatória e política.
- A alteração do fora‑de‑jogo e o “sin-bin” teriam de ser testados e validados por International Football Association Board (IFAB) e federações — adoção ampla é incerta (não confirmado).
E agora?
- Sem proposta formal anunciada, as ideias funcionam como balão de ensaio para negociações futuras em Serie A e no debate europeu sobre calendários, formatos e partilha de receitas. Impactos dependem de alinhamento entre ligas, federações, emissoras e patrocinadores.