Crise dos direitos televisivos e estádio abortado empurram Montpellier a abrir capital
Receitas de TV encolheram de cerca de 30 M€ para 7–8 M€ em seis anos; projeto de novo estádio foi abandonado e clube admite entrada de investidores.
O que aconteceu
- O Montpellier Hérault SC (MHSC) foi fortemente atingido pela queda dos direitos de transmissão televisiva do futebol francês desde 2020 e pelo abandono do novo estádio Louis-Nicollin, substituído por uma renovação de La Mosson (decidida em outubro de 2025). Sem essas alavancas, o presidente Laurent Nicollin admitiu na última semana a necessidade de abrir o capital. Em paralelo, vendas de jogadores - como Elye Wahi (30 M€ para o Lens)- serviram para tapar buracos orçamentais.
Por Que Importa
- Receitas de direitos televisivos do MHSC caíram de 29,5 M€ (2019) para 7–8 M€ (2025), comprimindo de forma estrutural o orçamento e a massa salarial.
- O colapso do contrato da Mediapro (1,15 mil milhões €/ano previstos 2020-24) e a renegociação para cerca de 500 M€ por época reduziu a liquidez em toda a Ligue 1, penalizando clubes médios com menor diversificação de receitas.
- Falhado o novo estádio, o MHSC perde potencial de aumentar receitas de dia de jogo, hospitalidade e patrocínios locais; Nicollin estima um impacto anual adicional de 10–20 M€ face ao cenário com nova arena.
- A abertura do capital surge como via para recapitalização, redução de risco familiar e financiamento da transição enquanto se aguarda um novo ciclo de direitos de TV (termos futuros não confirmados).
Contexto
- Em 2020, a Liga de Futebol Profissional (LFP) rompeu com o parceiro histórico Canal+ ao apostar na Mediapro; a rescisão da Mediapro em outubro de 2020 precipitou a quebra de preços e incerteza contratual.
- Politicamente, Montpellier alternou posições sobre o estádio: suspensão do projeto em Cambacérès (2020) e, depois, decisão de renovar La Mosson sob a presidência camarária de Michaël Delafosse.
Números
- Direitos de TV MHSC: 29,5 M€ (2019) → 7–8 M€ (2025).
- Transferência de Elye Wahi: 30 M€ (para o RC Lens), maior venda do clube.
- Perda anual estimada sem novo estádio: 10–20 M€ (estimativa de Laurent Nicollin).
- Direitos TV nacionais: de 1,15 mil milhões €/ano (acordo Mediapro, falhado) para cerca de 500 M€/época.
E agora?
- O clube prepara abertura do capital para estabilizar tesouraria e mitigar risco operacional; detalhes de avaliação e percentagem a vender (não confirmados).
- A renovação de La Mosson poderá melhorar experiência e receitas no médio prazo, mas sem o salto de monetização típico de uma arena nova.