Do Adepto ao Ativo (Parte 3)

Do Fan ID à máquina de receita baseada em dados

18 fev 2026 • há 11 horas
Do Adepto ao Ativo (Parte 3)

Continuamos o nosso caminho. Até agora, contextualizámos a importância real do conhecimento e da conversão desse conhecimento do adepto num ativo comercial, financeiro e contabilístico e como ele se reflete no mercado, em Portugal. Entrámos agora no caminho que nos vai levar ao valor de cerca de €120M.

A proposta organiza-se em quatro fases, inspirado no playbook do retalho.

O ponto-chave: transformar dados em P&L e, no final, transformar P&L em valuation e poder negocial.

Fase 1: Identificação

Fan ID + Base Unificada

Objetivo: ligar transações e interações a perfis identificados. Sem isto, tudo o resto é teoria.

Quick wins típicos:

  • Fan ID único (App/SSO)
  • Integração bilhética + loja + conteúdos + subscrições (Streaming/Vod)
  • Consentimentos e governance RGPD desde o primeiro passo
  • Deduplicação: um adepto = um perfil (Importante!)

Entrega-chave: base deduplicada com uma “fonte de verdade” por adepto.

Fase 2: Segmentação & Analytics

Tecnologia aplicada ao negócio (não os “dashboards bonitos”)

Objetivo: transformar dados em decisões operacionais e comerciais.

Aplicações diretas:

  • Segmentação por valor, frequência, geografia, afinidade,...
  • Churn prediction (renovações, época, sócios, subscrições,...)
  • Propensão de compra (merch, bilhetes, upgrades)
  • Personalização de conteúdos e ofertas

Entrega-chave: dashboards executivos + “outputs utilizáveis” (listas, triggers, playbooks).

Fase 3: Monetização com parceiros

Sem vender dados pessoais (RGPD) mas a criar receita recorrente.

Aqui nasce a mudança estrutural: os dados deixam de ser custo e viram linha de receita.

Modelos de monetização (garantindo o compliance):

  • Campanhas segmentadas para patrocinadores (Liga/Clube mantém controlo)
  • Retail media / inventário digital. O clube deixa de vender só “exposição de marca” e passa a vender “performance + segmentação + resultados”.
  • Relatórios agregados de audiência e segmentos (anonimizados)
  • Loyalty com parceiros (banca, mobilidade, retail, telco)

No retalho, “retail media” tornou-se prioridade estratégica porque assenta em first-party data e tem margens superiores ao core business. No futebol, o princípio é o mesmo: quem controla o dado, controla o inventário e controla o pricing.

Entrega-chave: novas receitas, sem dependência exclusiva de bilhética e patrocínios tradicionais.

Fase 4 — Reconhecimento do ativo

Valuation + Reporting

Objetivo: institucionalizar o valor do ativo “relação com adeptos”.

Como?

  • Valuation independente recorrente
  • Metodologia consistente (base, engagement, CLV/ARPU, crescimento)
  • Integração em relatórios de gestão e framework adequado

Este ponto será mais detalhado no próximo artigo.

Entrega-chave: o adepto passa a ser tratado como ativo, capaz de alavancar e suportar uma negociação, investimento e capacidade de financiamento.

Em suma: O roadmap não é teórico, existe e cria valor. Quem começar já e executar estas fases chega a 2030 com um produto mais valioso, mais defensável e muito mais monetizável.

Na Parte 4

Na Europa (IFRS), há uma peça crítica: como estruturar legal e contabilisticamente (RGPD + IAS 38) e por que uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) será o acelerador que transforma “projeto” em “ativo”.

Vamos mostrar a parte final e o caminho para o valor estimado de cada clube.

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