Do Adepto ao Ativo (Parte 2)

Entre a centralização dos direitos e o Mundial 2030, a transformação da paixão do adepto em dados auditáveis é o único caminho para evitar o custo brutal do atraso e garantir a valorização comercial dos clubes.

4 fev 2026 • há 11 horas
Do Adepto ao Ativo (Parte 2)

A janela 2024–2030: porque o “depois logo se vê” vai custar caro

Na primeira parte deste caminho contextualizámos a importância real do conhecimento e da conversão desse conhecimento do adepto num ativo comercial, financeiro e contabilístico.

Neste segundo momento, vamos começar a enquadrar na realidade de Portugal e Brasil, criando o caminho para o processo de como o fazer e como chegaremos ao valor de cerca de €120M.

O relógio está a contar

Durante anos, o futebol viveu com uma premissa confortável: “temos adeptos, temos audiência (e dinheiro da TV), logo temos valor.” Hoje, o mercado já não remunera potencial, remunera resultados e valor.

E isso significa saber quatro coisas simples:

  • Identidade: quem é o adepto
  • Comportamento: o que faz e com que frequência
  • Atribuição: o que gera (receita, retenção, influência)
  • Recorrência: capacidade de prever e repetir valor

Em Portugal, a centralização dos direitos audiovisuais está legislada (tarde, mas está) e abre um período curto e crítico de preparação antes do novo modelo. Mesmo que os detalhes finais variem, há algo que é estrutural: métricas de audiência, implantação e relação com o mercado e com o adepto passam a pesar (e muito!).

Se não existir forma de medir, através de base de dados identificada e provas de engagement, perde-se poder negocial quer internamente (distribuição) e externamente (media, patrocinadores e investidores).

No Brasil, o racional é similar: o ecossistema próprio evolui para modelos onde a capacidade de provar audiência própria, ativação e inventário digital determinam o preço e as condições e não apenas a dimensão histórica da marca. Existem muitos casos que sustentam esta realidade.

O custo do atraso é silencioso, mas brutal: entra-se na nova fase com métricas fragmentadas (seguidores, views, estimativas) e sem “fonte de verdade” auditável.

Mundial 2030: a maior montra (ou o maior desperdício)

A co-organização de um Mundial não é apenas visibilidade e mediatismo. É um pico irrepetível de aquisição de visitantes, audiência global, atenção mediática e curiosidade internacional.

Sem infraestrutura digital pronta (não só nos estádios onde se vai jogar, mas sobretudo fora):

  • visitantes e audiências passam… e não ficam
  • interesse internacional não se converte em registos, CRM, compras e recorrência
  • perde-se a oportunidade de criar bases globais (membership digital, e-commerce, comunidades)

Com infraestrutura pronta:

  • cada interação vira um registo associado a um Fan ID (1st party data)
  • cada fan tendencialmente vira um perfil cada vez mais 360
  • cada campanha vira receita atribuível e mensurável

A diferença entre “participámos na montra” e “capitalizámos a montra” mede-se em:

  • milhares de novos registos
  • novas receitas recorrentes (sobretudo internacional)
  • maior poder negocial para media e patrocinadores

Criando uma valorização do “Produto” (expressão muito em voga) no contexto onde até onde ela não era feita – com visitantes externos e em mercados onde não havia chegada do nosso futebol (ou a existir era residual).

“First-mover advantage” é real (e acumulativo)

No digital, quem começa primeiro não ganha apenas tempo, ganha vantagens cumulativas:

  • dados históricos (matéria-prima do valor)
  • modelos preditivos melhores (aprendem mais cedo)
  • custos de aquisição menores (criam hábito e canal próprio)
  • barreiras à entrada (integração + experiência + cultura)

No futebol, a paixão já existe. A vantagem competitiva nasce quando se transforma paixão em recorrência económica.

O Que Vem a Seguir?

O timing não é nota de rodapé, é o diferencial.

Quem entra rapidamente no processo de ter uma base identificada e ativável vai negociar em posição de força. Quem não entrar, vai pagar “taxa de atraso” (e não se poderá queixar).

A solução não é “mais uma app ou um site novo”. É um roadmap de 4 fases, com estratégia, governance, arquitetura de dados e quick wins.

E é sobre isso que vamos falar no próximo artigo.

(“A” nota de rodapé: o anterior artigo recebeu uma particular atenção do mercado, tendo sido inclusivamente objeto de um artigo no Jornal Económico de dia 30/01/2026 assim como de uma entrevista no programa “Jogo Económico da “A Bola TV” na mesma data. A todos muito obrigado).

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