OFC lança liga transfronteiriça em Oceânia com financiamento externo e transmissão global
Nova competição profissional reúne oito clubes de sete países, garante acesso a torneios da FIFA e pode servir de modelo para ligas inter-países noutras regiões.
O que aconteceu
A Confederação de Futebol da Oceânia (OFC) estreou a OFC Professional League, uma liga profissional transfronteiriça com oito clubes de sete países (Nova Zelândia, Austrália, Fiji, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Taiti e Vanuatu). A fase regular decorre em “circuitos” rotativos, seguida de play-offs, com meias-finais e final na Nova Zelândia. O campeão qualifica-se para a Taça Intercontinental da FIFA e para o próximo Mundial de Clubes (2029). Os jogos serão transmitidos na plataforma de transmissão online FIFA+.
Por Que Importa
- Modelo de negócio: liga única e profissional numa região fragmentada, com garantia de mínimo 17 jogos/época, criando inventário comercial e previsibilidade para patrocínios e bilhética.
- Direitos e distribuição: presença na FIFA+ dá alcance global imediato, ainda que com monetização direta limitada; abre portas a patrocínios regionais e acordos locais de emissão.
- Financiamento: apontado acordo de €18,3 M (US$20 M) por quatro anos com a autoridade de turismo da Arábia Saudita (não confirmado pela OFC), potencialmente a âncora financeira da competição.
- Via de acesso à FIFA: o vencedor ganha lugar em torneios com prémios significativamente superiores, reduzindo a disparidade histórica da Oceânia no ecossistema global.
Contexto
- A Austrália compete na Confederação Asiática (AFC) desde 2006; a A-League é profissional, mas fora da OFC. A nova liga pretende integrar microestados num ecossistema profissional e criar um caminho competitivo para grandes palcos.
- O interesse em ligas transfronteiriças cresce noutras regiões (BeNeLiga, Báltico, Irlanda), mas há obstáculos: quotas por país, acesso a competições da UEFA/CONCACAF, custos de viagem e perda de receitas domésticas.
Números
- Prémios FIFA: clubes da Oceânia receberam €3,29 M (US$3,58 M) de “entrada” no último Mundial de Clubes; empates valeram €0,92 M (US$1 M) por jogo, vitórias €1,83 M (US$2 M) – evidenciando a escala de receitas possível face às economias locais.
- Estrutura competitiva: 14 jornadas na fase regular + play-offs; todos os jogos da segunda fase disputados na Nova Zelândia para concentrar custos e logística.
Entre Linhas
- A inclusão futura de uma equipa do Havai (jurisdição CONCACAF) sugere uma estratégia de expansão de mercado e de captação de audiências diaspóricas no Pacífico, mas depende de acordos interconfederações (não confirmado).
- A apresentação do projeto em Riade e a possível verba saudita indicam dependência de patrocínio soberano, com riscos de renovação e de alinhamento reputacional.
E agora?
- Medir tração de audiência na FIFA+ e a captação de patrocinadores regionais será crítico para sustentabilidade após o eventual ciclo de financiamento inicial.
- A performance do representante da OFC nos torneios da FIFA funcionará como prova de conceito para a competitividade e para negociação de futuros acordos comerciais.