OFC lança liga transfronteiriça em Oceânia com financiamento externo e transmissão global

Nova competição profissional reúne oito clubes de sete países, garante acesso a torneios da FIFA e pode servir de modelo para ligas inter-países noutras regiões.

27 jan 2026 • 09:54 • Leitura original: Colin Millar / The Athletic
OFC lança liga transfronteiriça em Oceânia com financiamento externo e transmissão global — Colin Millar / The Athletic

O que aconteceu

A Confederação de Futebol da Oceânia (OFC) estreou a OFC Professional League, uma liga profissional transfronteiriça com oito clubes de sete países (Nova Zelândia, Austrália, Fiji, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Taiti e Vanuatu). A fase regular decorre em “circuitos” rotativos, seguida de play-offs, com meias-finais e final na Nova Zelândia. O campeão qualifica-se para a Taça Intercontinental da FIFA e para o próximo Mundial de Clubes (2029). Os jogos serão transmitidos na plataforma de transmissão online FIFA+.

Por Que Importa

  • Modelo de negócio: liga única e profissional numa região fragmentada, com garantia de mínimo 17 jogos/época, criando inventário comercial e previsibilidade para patrocínios e bilhética.
  • Direitos e distribuição: presença na FIFA+ dá alcance global imediato, ainda que com monetização direta limitada; abre portas a patrocínios regionais e acordos locais de emissão.
  • Financiamento: apontado acordo de €18,3 M (US$20 M) por quatro anos com a autoridade de turismo da Arábia Saudita (não confirmado pela OFC), potencialmente a âncora financeira da competição.
  • Via de acesso à FIFA: o vencedor ganha lugar em torneios com prémios significativamente superiores, reduzindo a disparidade histórica da Oceânia no ecossistema global.

Contexto

  • A Austrália compete na Confederação Asiática (AFC) desde 2006; a A-League é profissional, mas fora da OFC. A nova liga pretende integrar microestados num ecossistema profissional e criar um caminho competitivo para grandes palcos.
  • O interesse em ligas transfronteiriças cresce noutras regiões (BeNeLiga, Báltico, Irlanda), mas há obstáculos: quotas por país, acesso a competições da UEFA/CONCACAF, custos de viagem e perda de receitas domésticas.

Números

  • Prémios FIFA: clubes da Oceânia receberam €3,29 M (US$3,58 M) de “entrada” no último Mundial de Clubes; empates valeram €0,92 M (US$1 M) por jogo, vitórias €1,83 M (US$2 M) – evidenciando a escala de receitas possível face às economias locais.
  • Estrutura competitiva: 14 jornadas na fase regular + play-offs; todos os jogos da segunda fase disputados na Nova Zelândia para concentrar custos e logística.

Entre Linhas

  • A inclusão futura de uma equipa do Havai (jurisdição CONCACAF) sugere uma estratégia de expansão de mercado e de captação de audiências diaspóricas no Pacífico, mas depende de acordos interconfederações (não confirmado).
  • A apresentação do projeto em Riade e a possível verba saudita indicam dependência de patrocínio soberano, com riscos de renovação e de alinhamento reputacional.

E agora?

  • Medir tração de audiência na FIFA+ e a captação de patrocinadores regionais será crítico para sustentabilidade após o eventual ciclo de financiamento inicial.
  • A performance do representante da OFC nos torneios da FIFA funcionará como prova de conceito para a competitividade e para negociação de futuros acordos comerciais.

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