UEFA volta ao vermelho em 2024/25 apesar da nova Champions
Receitas descem para €5,01 mil milhões sem Europeu; redistribuição a clubes sobe e pressiona resultado (-€46,2 milhões).
O que aconteceu
A UEFA fechou a época financeira 2024/25 com receitas de €5,014 mil milhões e um prejuízo de €46,2 milhões, revertendo o lucro de €208,5 milhões em 2023/24. A ausência do Euro 2024 explica a queda nas rubricas de bilhética e hospitality, embora os direitos de transmissão continuem a representar mais de 80% das entradas. As competições de clubes, em especial a Liga dos Campeões, sustentaram o modelo.
Por Que Importa
- Pressão sobre a sustentabilidade: sem torneio de seleções, a dependência de audiências e direitos das competições de clubes fica exposta.
- Redistribuição robusta: a UEFA canalizou €3,861 mil milhões para clubes e federações, reforçando o papel de mecanismo de financiamento do ecossistema europeu.
- Volatilidade de receitas de eventos: bilhética (€58,3M) e hospitality (€41,8M) colapsam face a 2023/24, sublinhando o peso dos anos com Europeu.
- Risco regulatório e de mercado: o modelo de centralização de direitos mantém-se crítico para o retorno do investimento (ROI) dos clubes.
Números
- Direitos de transmissão: €4,065 mil M (vs. €4,957 mil M em 2023/24).
- Comercial: €786,9M (vs. €1,223 mil M).
- Bilhética: €58,3M; Hospitality: €41,8M.
- Liga dos Campeões: >€3,1 mil M em direitos; comercial €658M; hospitality €37,6M; bilhética €28,5M.
- Distribuição: €2,48 mil M (Champions), €570M (Liga Europa), €288M (Conference).
- Pagamentos de solidariedade: €468,9M (vs. >€1,5 mil M impulsionados pelo Euro em 2023/24).
- Reservas: €521,8M (limite mínimo >€500M). Liquidez: €461,7M. Passivos totais: ~€2,1 mil M, maioritariamente operacionais; sem dívida bancária.
Entre Linhas
- A nova formatação da Champions não neutralizou o “efeito Euro”, mas elevou receitas de direitos e comercial face a 2023/24 nas competições de clubes, apoiando a capacidade de redistribuição.
- Remuneração de Aleksander Čeferin acima de €3M em 2024/25; total acumulado desde 2017/18 próximo de €22M, sinal de estabilidade executiva, mas tema sensível perante o regresso ao vermelho.
E agora?
- O próximo ciclo com torneio de seleções deverá reverter o prejuízo; sem Europeu/Mundial, a UEFA terá de otimizar hospitality, bilhética e comercial para reduzir a volatilidade.
- A manutenção de reservas >€500M dá almofada para redistribuição elevada em anos “magros”, mas impõe disciplina de custos e previsibilidade contratual nos direitos televisivos.