FIFA pressionou clubes europeus a pagar dívidas a emblemas russos sob ameaça de sanções desportivas

Investigação revela oito casos, incluindo Atalanta, Udinese e Salernitana. Tribunal Arbitral do Desporto travou exigência no dossiê West Ham, mas Zurich manteve a linha dura.

12 jan 2026 • 09:13 • Leitura original: Marco Sacchi / Calcio e Finanza
FIFA pressionou clubes europeus a pagar dívidas a emblemas russos sob ameaça de sanções desportivas — Marco Sacchi / Calcio e Finanza

O que aconteceu

Uma investigação do coletivo Follow The Money, revelada pelo semanário L’Espresso, indica que a FIFA terá pressionado sistematicamente clubes europeus a cumprir pagamentos de transferências a equipas russas após a invasão da Ucrânia, ignorando bloqueios bancários e sanções governamentais. Em pelo menos oito casos, três envolvendo clubes italianos (Atalanta, Udinese e Salernitana), o organismo ameaçou bloqueio do mercado por 18 meses se as prestações não fossem liquidadas em 45 dias. O Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) mais tarde deu razão ao West Ham, suspendendo a obrigação de pagar enquanto vigorarem sanções, mas a FIFA não terá alterado a sua prática (não confirmado).

Por Que Importa

  • Risco financeiro: clubes confrontados com a escolha entre perder janelas de inscrição (impacto competitivo e de receitas) ou violar leis e sanções, com possível exposição a processos penais.
  • Incerteza contratual: decisões da FIFA a afirmar que sanções não extinguem dívidas colidem com restrições bancárias, elevando custos (juros, honorários legais) e risco de incumprimento.
  • Precedente regulatório: a decisão do TAS no caso West Ham introduz um contrapeso jurídico à posição da FIFA, podendo reabrir litígios e reequacionar provisões contabilísticas.
  • Mercado de transferências: o receio de sanções pode arrefecer negócios com clubes russos, reduzir liquidez e encarecer garantias/seguros de pagamento.

Contexto

  • Caso West Ham: ordem da FIFA em 31-03-2023 para pagar €26 milhões ao CSKA Moscovo por Nikola Vlašić sob pena de proibição de inscrever; o TAS (maio 2025) considerou o pagamento objetivamente impossível e criticou “canais alternativos” por contornarem sanções.
  • Atalanta-Lokomotiv: transferência de Aleksey Miranchuk (2020) por €14,5 milhões em 5 prestações; a FIFA decidiu que a 4.ª prestação (€2,8 milhões) devia ser paga com 5% de juros.
  • Udinese-CSKA: dívida de €4 milhões por Jaka Bijol; proposta de usar bancos alternativos foi recusada pelo clube, ainda assim condenado pela FIFA.
  • Benevento-Rubin Kazan: ao inverso, a FIFA também rejeitou a defesa russa por impossibilidade de pagar €650 mil, reiterando que sanções não anulam obrigações.

E agora?

  • Clubes podem recorrer mais ao TAS para suspender pagamentos enquanto durarem sanções, reduzindo risco de bloqueio do mercado.
  • Possível revisão de modelos contratuais: cláusulas de força maior específicas para sanções, escrow em jurisdições neutras e seguros de crédito.
  • Pressão sobre a FIFA para clarificar um enquadramento que concilie autonomia desportiva com o cumprimento de leis nacionais e europeias.

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