Apple assegura Fórmula 1 nos EUA a partir de 2026 e redefine o jogo dos direitos desportivos

Acordo exclusivo por 5 anos, estimado em $140M/ano, desloca a F1 para o ecossistema Apple e sinaliza nova estratégia de distribuição e envolvimento de audiências.

30 dez 2025 • 10:19 • Leitura original: City A.M. / Tom McJennett (Two Circles)
Apple assegura Fórmula 1 nos EUA a partir de 2026 e redefine o jogo dos direitos desportivos — City A.M. / Tom McJennett (Two Circles)

O que aconteceu

No final de 2025, a Apple confirmou que vai terminar antecipadamente o acordo com a Major League Soccer (MLS) nos Estados Unidos e garantiu, a partir de 2026, os direitos exclusivos de transmissão da Fórmula 1 (F1) no país, substituindo a ESPN. O contrato, reportado em cerca de $140 milhões por ano durante cinco anos (valores não divulgados oficialmente), integra a F1 no ecossistema de hardware e serviços da Apple, com conteúdos distribuídos por várias aplicações e dispositivos.

Por Que Importa

  • Direitos premium: estimada valorização de ~75% face ao acordo anterior com a ESPN reforça a procura por propriedade intelectual desportiva para atrair e reter subscritores.
  • Estratégia de distribuição: mais do que emissão ao vivo, a Apple promete destaques, editorial e análise em múltiplos pontos de contacto, aumentando a frequência e profundidade de consumo.
  • Audiências em mutação: o modelo alinha com hábitos de Geração Z, mais propensa a consumir “shoulder content” digital do que apenas corrida ao vivo, potenciando novas receitas publicitárias e de subscrição.
  • Efeito de convergência: depois do êxito de “F1 The Movie” (>$600M de bilheteira), a Apple junta entretenimento + desporto + tecnologia para maximizar o retorno do investimento (ROI).

Contexto

  • A Apple reforça a aposta em desporto após a MLS, agora com uma propriedade global e anual. No Reino Unido e Alemanha, a Paramount avançou pelos direitos da Liga dos Campeões da UEFA, sinalizando competição crescente entre tecnológicas e broadcasters tradicionais.
  • A F1 tem ganhos de tração nos EUA, com perfil mais jovem e equilibrado em género; quase 50% dos novos fãs têm 18–24 anos e 3 em 4 são mulheres (dados Two Circles).

E agora?

  • Para federações e ligas (futebol, críquete, râguebi), o caso F1–Apple é um modelo de referência: ampliar o leque de distribuidores, misturar exclusividade com ubiquidade de conteúdos e monetizar para além do direto.
  • No curto prazo, espera-se maior integração de dados de utilizador, pacotes de conteúdos e ações de marketing cruzado no ecossistema Apple, potenciando patrocínios de baixa exposição reputacional e inventário publicitário segmentado.

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