Apple assegura Fórmula 1 nos EUA a partir de 2026 e redefine o jogo dos direitos desportivos
Acordo exclusivo por 5 anos, estimado em $140M/ano, desloca a F1 para o ecossistema Apple e sinaliza nova estratégia de distribuição e envolvimento de audiências.
O que aconteceu
No final de 2025, a Apple confirmou que vai terminar antecipadamente o acordo com a Major League Soccer (MLS) nos Estados Unidos e garantiu, a partir de 2026, os direitos exclusivos de transmissão da Fórmula 1 (F1) no país, substituindo a ESPN. O contrato, reportado em cerca de $140 milhões por ano durante cinco anos (valores não divulgados oficialmente), integra a F1 no ecossistema de hardware e serviços da Apple, com conteúdos distribuídos por várias aplicações e dispositivos.
Por Que Importa
- Direitos premium: estimada valorização de ~75% face ao acordo anterior com a ESPN reforça a procura por propriedade intelectual desportiva para atrair e reter subscritores.
- Estratégia de distribuição: mais do que emissão ao vivo, a Apple promete destaques, editorial e análise em múltiplos pontos de contacto, aumentando a frequência e profundidade de consumo.
- Audiências em mutação: o modelo alinha com hábitos de Geração Z, mais propensa a consumir “shoulder content” digital do que apenas corrida ao vivo, potenciando novas receitas publicitárias e de subscrição.
- Efeito de convergência: depois do êxito de “F1 The Movie” (>$600M de bilheteira), a Apple junta entretenimento + desporto + tecnologia para maximizar o retorno do investimento (ROI).
Contexto
- A Apple reforça a aposta em desporto após a MLS, agora com uma propriedade global e anual. No Reino Unido e Alemanha, a Paramount avançou pelos direitos da Liga dos Campeões da UEFA, sinalizando competição crescente entre tecnológicas e broadcasters tradicionais.
- A F1 tem ganhos de tração nos EUA, com perfil mais jovem e equilibrado em género; quase 50% dos novos fãs têm 18–24 anos e 3 em 4 são mulheres (dados Two Circles).
E agora?
- Para federações e ligas (futebol, críquete, râguebi), o caso F1–Apple é um modelo de referência: ampliar o leque de distribuidores, misturar exclusividade com ubiquidade de conteúdos e monetizar para além do direto.
- No curto prazo, espera-se maior integração de dados de utilizador, pacotes de conteúdos e ações de marketing cruzado no ecossistema Apple, potenciando patrocínios de baixa exposição reputacional e inventário publicitário segmentado.