O Momento Game-Changer do Futebol Português

A Transformação Que Já Começou (Mas Ainda Poucos Entenderam)

26 nov 2025 • 10:47
O Momento Game-Changer do Futebol Português

O futebol português entrou na década mais determinante da sua história. Pela primeira vez, fatores estruturais, tecnológicos e económicos alinham-se para criar uma janela de oportunidade única, semelhante à que transformou por completo setores como o retalho, a banca, a aviação e os media.

Enquanto estas indústrias reinventaram os seus modelos de negócio e de gestão profissional através de dados, digitalização e novas fontes de receita, o futebol português, na sua vasta maioria, continua a operar com um modelo de gestão de 1995: associativo, fragmentado, pouco orientado a métricas e demasiado dependente da bola que entra ou não entra.

Hoje coexistem, no mesmo tempo e no mesmo país:

  • A centralização dos direitos audiovisuais (um ponto de viragem histórico)
  • O Mundial 2030 (um catalisador que não voltaremos a ter)
  • Tecnologias maduras, acessíveis e escaláveis
  • Adeptos globalizados e digital-first
  • Investidores atentos ao mercado português
  • Uma Liga e Federação com condições para liderar

A pergunta já não é se devemos mudar. A pergunta é: quem vai liderar esta mudança?


Porquê Agora? — A Convergência Que Não Volta

Nos últimos 17 anos trabalhei com clubes, ligas e federações em Portugal, Espanha, Reino Unido, EUA, LATAM e Médio Oriente. Com exceção da LaLiga pós-centralização em 2017, nunca encontrei um cenário tão claro e tão favorável como o que Portugal tem hoje.

É uma convergência rara (e irrepetível) entre necessidade, oportunidade e tecnologia e, por isso, afirmo com convicção de que “Agir agora (e já vamos tarde), antes do primeiro ciclo da centralização, permitirá não apenas aumentar receitas no imediato, mas, sobretudo, revalorizar estruturalmente todo o ecossistema.”

Não se trata de modernização cosmética, trata-se de reconstruir o modelo de negócio do futebol português com as mesmas fundações que sustentam as ligas mais fortes do mundo.


O Problema Estrutural: Portugal Não Tem Escala Natural (E Isso Importa)

Portugal é uma das ligas europeias com menor:

  • receita média por clube,
  • base de adeptos,
  • Taxa de ocupação de estádio de estádio,
  • receitas comerciais,
  • valorização de direitos.

A falta de escala é real. Mas é também a nossa maior oportunidade, pois quanto mais pequena a estrutura, mais rápida a transformação.

Menos camadas. Menos burocracia. Mais agilidade. Mais impacto por cada euro investido.

O que demorou 20–30 anos no retalho pode ser executado no futebol português em 48–60 meses!


O Ativo Mais Valioso Do Futebol Português Ainda Não Está No Balanço

Falaremos em detalhe sobre este ponto, mas deixo aqui claro que hoje, o futebol português está literalmente a “sentar-se” sobre mais de €124M que não reconhece nem usa como alavanca.

Curioso? Deveria estar.

Empresas como Amazon, American Airlines, Tesco, Continente ou Livelo sabem que 60–80% da sua valorização vem de ativos de dados, loyalty e analítica preditiva.

Noutros casos, como o da American Airlines, temos uma valorização do seu programa de fidelização (milhas) superior (US$23B) ao da própria empresa (US$21B).

No futebol português, pelo contrário, continuamos focados em:

  • Estádios
  • Centros de treino
  • Plantéis
  • Receitas operacionais

E deixamos de lado aquilo que verdadeiramente cria valor: a relação com os adeptos.

A nossa análise mostra que existem €124 milhões em ativos de dados de sócios e adeptos não reconhecidos nos balanços dos clubes, ao contrário do que se passou por exemplo na LaLiga (valorização para o acordo com a CVC) ou Real Madrid.

E isto é apenas a primeira camada pois há muito mais valor escondido, sobre o qual voltaremos a falar.


O Verdadeiro Bloqueio Não É Tecnológico! É Cultural

Portugal tem gestores desportivos e decisores técnicos de classe mundial. O problema nunca foi talento. O que falta é:

  • visão empresarial,
  • governance profissional,
  • alinhamento estratégico com decisores governamentais,
  • cultura de dados,
  • accountability,
  • capacidade comercial,
  • ambição internacional.

Falta a coragem de ultrapassar o modelo associativo, que já não responde à realidade de 2025, e adotar definitivamente um modelo empresarial e orientado a crescimento.


A Liga Portugal Como Motor De Transformação. Mas Não Sozinha.

A visão integrada do ecossistema mostra que a Liga Portugal está na melhor posição para liderar a mudança (e já o está a fazer). Mas atenção: A Liga não é (nem pode ser) o único motor. Clubes, Federação, operadores, autarquias, marcas e Governo têm responsabilidade (e oportunidade) de liderar esta transformação.

O que vamos abordar é exequível. Tem retorno. E é urgente.


O Meu Papel Neste Espaço

O Futebol e Negócios dá-me a oportunidade de ter este espaço para partilhar uma visão sobre o futuro do negócio do futebol português. Assumo este espaço com um propósito claro:

Ser uma voz independente, apolítica, técnica, objetiva e internacional ao

serviço da transformação do nosso futebol.

Uma voz para:

  • decisores,
  • dirigentes,
  • investidores,
  • políticos,
  • jornalistas,
  • empresas,
  • e adeptos que querem um futebol mais forte.

Apoiada em 17 anos de experiência global em Digital, Dados, Inovação e New Business no desporto em Portugal, Reino Unido, Espanha, EUA, França, Brasil, LATAM, MENA e mais.


O Que Esperar Dos Próximos Artigos

A partir de agora, vamos mergulhar, com profundidade prática, em temas essenciais. Quanto valem, verdadeiramente, os adeptos portugueses.

  1. Como transformar dados em receitas recorrentes.
  2. Como o Futebol em Portugal pode duplicar a sua valorização até 2031.
  3. O futuro D2C das ligas europeias.
  4. Como Portugal pode atrair investimento global.
  5. A estratégia digital integrada que falta aos clubes.
  6. Os riscos económicos de nada fazer.
  7. O potencial estratégico do Mundial 2030.
  8. A visão 2031: um futebol português mais global, competitivo e sustentável.

Conclusão

Em suma, o futuro do futebol português não depende do VAR, do mercado de transferências ou do próximo resultado.

Depende da capacidade de reinventar o modelo de negócio. De entender que o desporto é indústria. Que os adeptos são um ativo. Que os dados são o novo petróleo. E que a transformação não é opcional — é inevitável.

Estamos perante uma oportunidade histórica.

“A janela de oportunidade é curta. E irrepetível. Quem agir

primeiro, liderará a próxima década.”

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