Reino Unido pondera levantar proibição de beber cerveja nas bancadas após 41 anos
Andy Burnham admite piloto para permitir consumo de álcool com vista para o relvado; clubes, patrocinadores e retalhistas veem potencial de receita, enquanto polícia avalia risco de ordem pública.
O que aconteceu
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, admitiu em Nova Iorque uma série de testes-piloto para rever o banimento, em vigor desde 1985, do consumo de álcool nas zonas dos estádios com vista direta para o relvado durante jogos de futebol. A medida, que cobre todas as divisões profissionais inglesas e provas como a Taça de Inglaterra (FA Cup), poderá aproximar o futebol de modalidades como râguebi e críquete, onde tal restrição não existe. A Associação de Adeptos (Football Supporters’ Association) manifestou apoio.
Por Que Importa
- Receita em dia de jogo: reabrir consumo nas bancadas pode incrementar vendas de F&B (comida e bebidas) por adepto e o ticket médio por partida, com efeito direto na faturação de clubes e operadores de estádio.
- Patrocínios e ativações: marcas de cerveja podem ganhar maior visibilidade in situ, reforçando contratos de patrocínio e ativações no ponto de consumo; potencial para rever tabelas de preços e contrapartidas.
- Operação e segurança: necessidade de investimento em stewarding, controlo de idade e serviço responsável; custos adicionais podem mitigar parte do ganho bruto (impacto líquido a monitorizar).
- Enquadramento regulatório: qualquer alteração exigirá coordenação com a polícia e autoridades locais, definindo limites (quantidades por compra, zonas, horários) e um modelo de avaliação de risco.
Contexto
- O banimento de 1985 sucedeu a episódios de violência associados ao hooliganismo. Desde então, a modernização dos estádios e o perfil do público alteraram-se substancialmente, segundo Burnham (adepto do Everton).
- Em concertos e noutros desportos nos mesmos recintos, o consumo já é permitido, criando um desalinhamento comercial entre eventos no mesmo ativo imobiliário.
E agora?
- Esperam‑se pilotos limitados (locais/jogos selecionados), com métricas de sucesso como receita por cabeça, incidentes reportados e tempos de fila.
- Modelos possíveis: zonas específicas por anel, limites de unidades por transação, copos reutilizáveis e equipas de serviço responsável; partilha de dados entre clubes, polícia e ligas.
- Termos comerciais com concessionários de catering poderão ser revistos para capturar o upside (percentagens de partilha e mínimos garantidos). Valores não divulgados.