RFEF fecha 2025 com 380 M€ de receitas e lucro líquido de 3 M€, apoiada em direitos audiovisuais e patrocínios
Federação espanhola mantém a televisão como principal pilar (117,3 M€) e reforça publicidade e actividades desportivas; auditoria da EY aprova contas, mas assinala risco por investigação judicial.
O que aconteceu
A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) apresentou as contas de 2025 (exercício até 31 de dezembro), com receitas próximas de 380 M€, resultado líquido de 3 M€ e parecer favorável da auditora EY. O negócio operacional somou 366,6 M€ (−3% vs. 378 M€ em 2024) e outros rendimentos atingiram 70,1 M€ (+2%). A investigação judicial em curso levou a EY a destacar uma incerteza. O mercado espanhol representou 62% das receitas e o internacional 38%.
Por Que Importa
- Direitos de emissão/transmissão ("broadcasting", primeira menção) sustentam o modelo: 117,3 M€ de contratos para Seleções, Taça do Rei e Supertaça de Espanha.
- Publicidade e imagem renderam 80,6 M€, com marcas-âncora como Loewe, Google, TCL, Cervezas Victoria, Iberia e El Pozo, diversificando a base de patrocínio.
- Forte peso de serviços regulatórios: arbitragens ~46 M€ e sanções 4,4 M€, além de cláusulas com a Liga Nacional de Futebol Profissional (LNFP) que somam 18,3 M€, evidenciando receitas parafiscais.
- Exposição a risco reputacional e regulatório: a investigação judicial pode afetar contratos e custos futuros (não confirmado).
Números
- Geografia: Espanha 184,8 M€ (62%); internacional 111,7 M€ (38%) — TV 31,6 M€, publicidade ~33 M€, actividades desportivas ~47 M€.
- Actividades desportivas: 74,5 M€; licenças federativas: >20 M€; quotas de clubes: ~1,4 M€; formação: >1,7 M€ (+65%).
- Merchandising/material: ~87 mil € (vs. 1,4 M€ em 2024), forte quebra.
- Subvenções reconhecidas em resultados: 11,3 M€ (10,5 M€ de exploração; 825 mil € de capital do Conselho Superior de Desportos).
Contexto
- A estabilidade dos direitos audiovisuais (117,3 M€, praticamente plana) sugere ciclo contratual maduro; crescimento adicional dependerá de novas janelas, internacionalização e pacote integrado de competições.
- A carteira publicitária robusta mitiga a estagnação da TV, mas a queda acentuada nas vendas de material expõe fragilidades na monetização direta ao adepto.
E agora?
- Prioridades: reforçar receitas internacionais, recuperar a linha de produto próprio e blindar contratos face ao risco da investigação (não confirmado).