Ligue 1 mantém crise nos direitos: campeão receberá €11,7 milhões de TV nacional em 2026-27
Com a saída da beIN Sports e a aposta total na plataforma Ligue 1+, a liga francesa prevê €412,2 milhões de receitas, mas o modelo de distribuição continua desequilibrado e penaliza a base do campeonato.
O que aconteceu
A Ligue 1, apesar de albergar o atual campeão da Liga dos Campeões, continuará com um bolo televisivo nacional reduzido em 2026-27: o campeão receberá €11,7 milhões e o último classificado €3,6 milhões, segundo projeções da Ligue de Football Professionnel (LFP) citadas pelo L’Équipe. A liga consolidará todos os jogos na sua própria plataforma Ligue 1+ após a saída da beIN Sports no verão, procurando €412,2 milhões de receitas totais.
Por Que Importa
- Pressão nas finanças dos clubes médios/pequenos: com apenas €171,1 milhões de direitos nacionais para distribuir, a base competitiva fica subfinanciada face a outras ligas europeias (ex.: o último da LaLiga Hypermotion recebe €5,3 milhões).
- Mudança estratégica de transmissão: a LFP internaliza 100% dos direitos na Ligue 1+ (plataforma de transmissão online), mas terá de compensar a perda de €80 milhões/época do jogo principal e €20 milhões em patrocínio da beIN.
- Dependência do crescimento de assinaturas: com 1,1 milhão de subscritores hoje, a meta é 1,5 milhões até 2026-27; prevê-se +30% já na próxima época, acompanhada de subida de preços (valores não divulgados).
- Repartição internacional assimétrica: dos €137,6 milhões previstos do estrangeiro, apenas €6,5 milhões chegam, de forma linear, aos 18 clubes; a LFP reserva €71,6 milhões para equipas em competições da UEFA, acentuando desigualdades.
Números
- Receitas totais LFP 2026-27: €412,2 milhões (inclui desbloqueio de €63,5 milhões do fundo de reserva).
- Direitos nacionais: €171,1 milhões; internacionais: €137,6 milhões; Ligue 2: €40 milhões.
- beIN Sports sai no verão; Ligue 1+ assume 100% dos jogos.
- Mix de distribuição OTT: 70% via plataformas (Ligue 1+, DAZN, Prime Video) e 30% via operadores de internet.
Entre Linhas
- A alteração do modelo de distribuição dos direitos internacionais está a ser negociada e pode mudar (não confirmado), mas enfrenta resistência de alguns clubes.
- A ausência de um novo parceiro externo de média a curto prazo reduz a visibilidade internacional e aumenta o risco operacional da LFP.
E agora?
- Atingir a meta de subscrições e precificação adequada será crítico para preservar margens e retorno do investimento (ROI) dos clubes.
- Eventual revisão do critério de partilha internacional poderá re-equilibrar receitas e mitigar a dependência das equipas da UEFA.