Euro 2029 feminina na Alemanha quer lucro — e legado

DFB aponta à primeira edição rentável do Europeu feminino, mas especialistas alertam: o sucesso mede-se pelo que fica para o ecossistema, não só pelo resultado financeiro.

18 dez 2025 • 10:38 • Leitura original: DW / Jonathan Harding
Euro 2029 feminina na Alemanha quer lucro — e legado — DW / Jonathan Harding

O que aconteceu

A Alemanha, oito vezes campeã europeia, acolhe o Europeu feminino de 2029 com a ambição da Federação Alemã de Futebol (Deutscher Fußball-Bund, DFB) de tornar a competição a primeira edição lucrativa. O plano assenta na venda de >1 milhão de bilhetes, compromissos financeiros das cidades-anfitriãs e apoio do tecido empresarial alemão. Especialistas como Popi Sotiriadou (Griffith University) e Alex Culvin (FIFPRO) consideram o lucro plausível se houver subida dos direitos de transmissão e um portefólio de patrocínios plurianual bem estruturado.

Por Que Importa

  • Receita: bilhética massiva, patrocínios multi-ano e valorização dos direitos de emissão/transmissão podem estabelecer nova referência de retorno do investimento (ROI) no futebol feminino.
  • Mercado doméstico: a criação da FBL (associação da Bundesliga feminina) para profissionalizar e comercializar a liga indica procura por governação mais ágil; a articulação com a DFB é crítica para evitar duplicações.
  • Investidores: perfil de “produto em arranque” atrai capital com tolerância a risco e visão de médio prazo; capturar esse capital exige métricas claras de audiência e conversão de adeptos.
  • Legado: garantir que lucros ficam cativados para o futebol feminino (formação, infraestruturas, marketing) pode transformar um título de jornal num ponto de viragem estrutural.

Contexto

  • A FBL foi criada por 14 clubes da Bundesliga feminina sem a DFB, sinalizando fricção institucional. O destino do compromisso de €100 milhões anunciado pela DFB para o futebol feminino está por clarificar (não confirmado).
  • Jogadoras alemãs têm sido voz activa em causas sociais (ex.: campanha “Orange the World”). A dimensão reputacional pode reforçar o valor para marcas de baixa exposição reputacional.

Entre Linhas

  • “Lucro” sem plano de reinvestimento reduz o efeito de longo prazo: escolas de formação, calendário competitivo, marketing de clubes e melhoria de condições das atletas são as alavancas mais impactantes.
  • Valorizar direitos implica estratégia de plataformas de transmissão online e televisão aberta: alcance + frequência antes de maximizar preço.

E agora?

  • Fechar um pacote comercial: bilhética dinâmica, patrocínios sectoriais e activação nas cidades-anfitriãs.
  • Definir governança entre DFB e FBL para coordenar investimento e exploração de direitos a partir de 2029.
  • Medir legado: crescimento de praticantes, assistências na Bundesliga feminina, audiências e paridade de cobertura mediática.

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