Euro 2029 feminina na Alemanha quer lucro — e legado
DFB aponta à primeira edição rentável do Europeu feminino, mas especialistas alertam: o sucesso mede-se pelo que fica para o ecossistema, não só pelo resultado financeiro.
O que aconteceu
A Alemanha, oito vezes campeã europeia, acolhe o Europeu feminino de 2029 com a ambição da Federação Alemã de Futebol (Deutscher Fußball-Bund, DFB) de tornar a competição a primeira edição lucrativa. O plano assenta na venda de >1 milhão de bilhetes, compromissos financeiros das cidades-anfitriãs e apoio do tecido empresarial alemão. Especialistas como Popi Sotiriadou (Griffith University) e Alex Culvin (FIFPRO) consideram o lucro plausível se houver subida dos direitos de transmissão e um portefólio de patrocínios plurianual bem estruturado.
Por Que Importa
- Receita: bilhética massiva, patrocínios multi-ano e valorização dos direitos de emissão/transmissão podem estabelecer nova referência de retorno do investimento (ROI) no futebol feminino.
- Mercado doméstico: a criação da FBL (associação da Bundesliga feminina) para profissionalizar e comercializar a liga indica procura por governação mais ágil; a articulação com a DFB é crítica para evitar duplicações.
- Investidores: perfil de “produto em arranque” atrai capital com tolerância a risco e visão de médio prazo; capturar esse capital exige métricas claras de audiência e conversão de adeptos.
- Legado: garantir que lucros ficam cativados para o futebol feminino (formação, infraestruturas, marketing) pode transformar um título de jornal num ponto de viragem estrutural.
Contexto
- A FBL foi criada por 14 clubes da Bundesliga feminina sem a DFB, sinalizando fricção institucional. O destino do compromisso de €100 milhões anunciado pela DFB para o futebol feminino está por clarificar (não confirmado).
- Jogadoras alemãs têm sido voz activa em causas sociais (ex.: campanha “Orange the World”). A dimensão reputacional pode reforçar o valor para marcas de baixa exposição reputacional.
Entre Linhas
- “Lucro” sem plano de reinvestimento reduz o efeito de longo prazo: escolas de formação, calendário competitivo, marketing de clubes e melhoria de condições das atletas são as alavancas mais impactantes.
- Valorizar direitos implica estratégia de plataformas de transmissão online e televisão aberta: alcance + frequência antes de maximizar preço.
E agora?
- Fechar um pacote comercial: bilhética dinâmica, patrocínios sectoriais e activação nas cidades-anfitriãs.
- Definir governança entre DFB e FBL para coordenar investimento e exploração de direitos a partir de 2029.
- Medir legado: crescimento de praticantes, assistências na Bundesliga feminina, audiências e paridade de cobertura mediática.