# No VfL Bochum, os jovens já ajudam a decidir o presente do clube

> Desde 2023, o Beirat Zukunft junta doze jovens entre os 14 e os 25 anos, que propõem iniciativas e trabalham com dez departamentos do clube alemão.

- Publicado: 2026-11-03 17:34
- Autor: Leonie Hauptvogel
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Os jovens costumam ser apresentados como o futuro do futebol. No VfL Bochum 1848 quisemos dar-lhes também uma palavra no presente do clube. Foi essa a ideia que levou à criação do Beirat Zukunft, o nosso Conselho Consultivo do Futuro, que desde maio de 2023 reúne doze jovens entre os 14 e os 25 anos.

Se queremos construir o futuro do clube, temos de envolver as pessoas que vão fazer parte dele. Um clube de futebol é uma organização desportiva, mas é também um lugar de identidade, de pertença e de comunidade, que muitas vezes liga várias gerações de adeptos. No VfL entendemos que isso traz a responsabilidade de ouvir perspetivas diferentes e de criar formas reais de participação.

O conselho é uma plataforma onde os jovens apresentam ideias, contestam as perspetivas existentes e participam no desenvolvimento do clube. Não se limita a perguntar aos adeptos mais novos o que gostariam de ver. Levamos a sério o que dizem, pomo-los em contacto com quem decide e ajudamo-los a transformar as ideias em iniciativas concretas. Queremos que sintam que o VfL é um clube que apoiam e que também podem ajudar a moldar.

## Para lá da regra dos 50+1

A regra dos 50+1 é uma parte importante da cultura do futebol alemão, porque preserva a influência dos sócios nos clubes. Mas os direitos formais de participação não garantem que todas as gerações e todos os grupos tenham a mesma oportunidade de se fazer ouvir. As estruturas tradicionais exigem muitas vezes experiência, confiança, redes de contactos ou simplesmente tempo. Para os mais novos, estas condições podem ser barreiras significativas.

Perguntámo-nos então como tornar a participação mais acessível, sobretudo para quem ainda tem pouca voz nas estruturas existentes.

O Conselho Consultivo do Futuro não substitui os processos democráticos do clube. Complementa-os com uma forma de participação mais direta. Os membros trabalham com vários departamentos, entram nas discussões e desenvolvem iniciativas sem terem primeiro de percorrer a estrutura organizativa tradicional do clube.

Para nós, isto tem também a ver com a evolução da nossa cultura associativa a longo prazo. Se os jovens sentirem que a sua opinião conta e que participar pode levar a mudanças reais, é mais provável que continuem envolvidos no clube ao longo da vida. Por isso vemos o conselho como uma iniciativa de participação e também como um investimento na cultura democrática do clube.

## Do projeto ao dia a dia do clube

O conceito foi desenvolvido na época 2022/23, em parceria com a Kindernothilfe. A intenção era criar uma forma estruturada e duradoura de participação jovem, em vez de lançar mais um projeto de curto prazo. Depois de um processo de candidatura aberto em março de 2023, o conselho começou a trabalhar em maio desse ano.

Hoje tem doze membros, entre os 14 e os 25 anos, que trabalham em quatro áreas: responsabilidade e parcerias, adeptos e experiência no estádio, ambiente e clima, e merchandising.

Um dos passos mais importantes foi a passagem da fase de criação para a integração no funcionamento corrente do clube. Ao longo do tempo, os membros desenvolveram e puseram em prática as suas próprias iniciativas, entre elas atividades de sustentabilidade, projetos sociais e novas formas de os jovens se relacionarem diretamente com o clube.

Em abril de 2025, a iniciativa recebeu o Prémio Karl-Heinz Rummenigge da ECA, um reconhecimento internacional do empenho dos nossos membros mais novos e do valor da participação jovem no futebol profissional.

Mais recentemente, reforçámos a ligação do conselho aos departamentos do clube. Há hoje contactos diretos em dez departamentos, o que permite aos membros discutir as ideias com os responsáveis de cada área.

As prioridades para os próximos tempos são tornar estas relações mais eficazes, consolidar a integração do conselho no clube a longo prazo e criar oportunidades de troca com órgãos consultivos jovens de outros clubes e modalidades. A ambição é passar de projetos de participação isolados para uma verdadeira cultura de participação, em que a perspetiva dos jovens faça naturalmente parte da forma como o clube pensa, planeia e evolui.

## O que o clube e os jovens procuram

Do lado do clube, o objetivo principal é ganhar novas perspetivas e tomar decisões melhores e mais inclusivas. Os jovens vivem o futebol de outra forma e levantam muitas vezes questões que não surgiriam nos processos de decisão habituais. As ideias deles obrigam-nos a rever rotinas instaladas e a repensar a forma como tratamos certos temas.

Temos também uma ambição educativa e social. Ao participarem, os membros conhecem por dentro a estrutura de um clube profissional, desenvolvem competências de gestão de projetos e de comunicação, aprendem a trabalhar com diferentes interlocutores e assumem responsabilidades.

Para os próprios jovens, creio que uma das motivações mais fortes é a possibilidade de fazer diferença. Gostam do clube, mas não querem apenas ser convidados para eventos ou consultados de vez em quando. Querem que as suas ideias sejam ouvidas, discutidas e, sempre que possível, concretizadas. Valorizam também a oportunidade de conhecer pessoas com os mesmos interesses, criar amizades e ter experiências a que dificilmente teriam acesso de outra forma.

A participação funciona nos dois sentidos. Os membros aprendem como funciona um clube profissional e nós, como organização, aprendemos a ouvir com mais atenção, a comunicar com mais abertura e, por vezes, a pôr em causa os nossos próprios pressupostos. O maior sucesso seria os membros olharem para trás e dizerem: "Não aprendemos apenas alguma coisa sobre o nosso clube. Ajudámos de facto a mudá-lo."

## Ideias concretizadas e ideias que ficaram pelo caminho

As propostas refletem a diversidade de interesses dentro do conselho: sustentabilidade, responsabilidade social, experiência no estádio, relação com os adeptos e merchandising.

Um dado encorajador é que muitas ideias vão além dos interesses imediatos dos membros e pensam no contributo que o clube pode dar à comunidade. Na abertura da época 2025/26, o conselho organizou uma recolha de roupa. Os membros pediram aos adeptos que doassem peças e trataram eles próprios da triagem. O que podia ser reutilizado diretamente foi entregue à Lebenshilfe e o restante foi encaminhado para upcycling. O conselho organizou também uma atividade de upcycling, para mostrar como a preocupação ambiental se pode traduzir em ações práticas. Outro exemplo é a conferência de imprensa para crianças, que deu aos adeptos mais novos uma forma diferente de se relacionarem com o clube.

Nem todas as ideias podem ser postas em prática de imediato, e é importante ser transparente sobre isso. Um clube de futebol profissional é uma organização complexa. Algumas propostas envolvem questões financeiras, restrições operacionais, contratos em vigor ou coordenação entre vários departamentos. Outras têm valor, mas não podem ser prioridade num determinado momento.

Uma das dificuldades que identificámos é que ter uma boa ideia e encontrar na organização a pessoa certa para a concretizar são coisas diferentes. Foi por isso que reforçámos a ligação entre o conselho e os departamentos. Queremos também que os membros percebam porque é que certas propostas não avançam, em vez de receberem uma recusa sem explicação.

Participar a sério não significa que todas as sugestões sejam aplicadas. Significa que cada sugestão é levada a sério, avaliada com justiça e recebe uma resposta clara.

## Diferenças entre gerações

Prefiro não traçar uma linha demasiado rígida entre gerações. Os jovens não são um grupo homogéneo, e os adeptos mais velhos também não.

Muitos dos valores que importam aos adeptos mais novos, como a pertença, a autenticidade, a tradição e a comunidade, são igualmente importantes para as gerações anteriores. O que pode mudar é a forma como esses valores se exprimem e o que as pessoas esperam do clube. Um estudo baseado no European Social Survey indica que os adultos mais jovens dão mais importância à abertura à mudança, incluindo a independência, a criatividade e as experiências novas.¹

Isso não quer dizer que cada jovem seja mais inovador ou mais disposto a contestar as estruturas existentes. Mostra, ainda assim, a vantagem de juntar gerações diferentes. Na nossa experiência com o conselho, os jovens trazem muitas vezes perspetivas novas, questionam práticas estabelecidas e levam-nos a explorar alternativas. Tendem também a ligar o futebol a temas mais amplos da sociedade, como a sustentabilidade, a diversidade, a inclusão e a responsabilidade social.

Ao mesmo tempo, a experiência do conselho mostrou que os adeptos mais novos não procuram um clube completamente diferente. Muitos têm uma ligação profunda à identidade, às tradições e às raízes locais do clube. Tradição e inovação podem conviver. Um clube pode preservar o que o distingue e continuar aberto a novas formas de levar essa identidade para o futuro.

Por vezes, o contributo mais útil dos jovens é uma pergunta simples: "Porque é que fazemos isto desta maneira?"

## O clube como comunidade

Nos países de língua alemã, o clube de futebol é tradicionalmente uma associação de sócios, com forte ênfase na comunidade e na responsabilidade social. Creio que esta ideia continua a ser muito importante para os jovens, talvez mais do que por vezes se supõe.

Quando se fala das gerações mais novas, a conversa concentra-se muitas vezes nos meios digitais, na menor capacidade de atenção ou nas novas formas de entretenimento. Isso pode fazer esquecer que os jovens também querem pertencer a alguma coisa, ser reconhecidos e fazer parte de algo com significado. Um clube de futebol pode oferecer isso. No VfL, a ligação à cidade, aos adeptos e à região do Ruhr é uma parte central da nossa identidade, e esse sentimento de pertença vai além do que acontece em campo.

Através do conselho, vemos que os jovens querem contribuir para a comunidade à volta do clube, apoiar iniciativas sociais e assumir responsabilidades. A recolha de roupa e as atividades de upcycling são bons exemplos. Tinham pouco a ver com o futebol enquanto modalidade e muito com o uso da plataforma e da comunidade do clube para fazer alguma coisa em conjunto.

O sentido de comunidade fica mais forte quando os jovens podem contribuir ativamente para ele. Sentir que se pertence a um clube é diferente de perceber que se pode ajudar a definir aquilo que o clube representa. O nosso desafio é garantir que o modelo tradicional do clube associativo continua a ser algo que os jovens vivem por dentro, e não apenas uma estrutura que herdam.

## O que aprendemos sobre os adeptos mais novos

Diz-se muitas vezes que os clubes já não chegam aos jovens e que a idade média dos adeptos está a subir. Uma das maiores vantagens do conselho é que, em vez de fazermos suposições sobre o que os jovens querem, podemos falar diretamente com eles e envolvê-los nas discussões.

Uma conclusão importante é que os jovens não querem necessariamente que o futebol se torne outra coisa. Continuam a valorizar muito do que sempre o tornou especial: o ambiente no estádio, a ligação emocional, as experiências partilhadas e a sensação de fazer parte de uma comunidade.

O que pode fazer a diferença é sentirem-se reconhecidos e incluídos. Têm oportunidade de dar a sua opinião? Conseguem perceber as decisões que os afetam? Há formas acessíveis de se envolverem para além de irem aos jogos ou consumirem conteúdos?

Percebemos também que a participação cria uma relação muito mais profunda com o clube. Quando um jovem organiza uma iniciativa, trabalha com os funcionários do clube ou vê uma ideia sua concretizada, passa a ver o clube de outra perspetiva.

Temos de ser realistas. Doze membros de um conselho consultivo não representam uma geração inteira, e a nossa experiência não substitui estudos mais amplos sobre o comportamento dos adeptos. Mas dá-nos um diálogo contínuo e um conhecimento mais fundo de perspetivas individuais. A principal lição que tiro é que devemos gastar menos tempo a tentar adivinhar o que os jovens querem e mais tempo a criar oportunidades para que sejam eles a dizer-nos e a ajudar a construir as respostas.

## Experiências reais num mundo digital

Numa época de inteligência artificial, mundos virtuais e notícias falsas, o futebol oferece algo cada vez mais valioso: experiências partilhadas, imprevisíveis e emocionalmente genuínas. A tecnologia digital faz parte da vida dos jovens, e não creio que as experiências digitais e presenciais estejam necessariamente em competição. Podem complementar-se.

Mas estar num estádio, festejar um golo no último minuto com milhares de pessoas ou viver em conjunto o ambiente de um jogo são momentos que um ecrã não reproduz por completo.

A experiência do conselho mostra também que os jovens valorizam as oportunidades de se encontrarem pessoalmente, trabalharem juntos em projetos e criarem relações para além da comunicação digital. O conselho é uma estrutura de participação e é também um espaço social, onde jovens de origens diferentes se ligam através de uma paixão comum. Isto ganha relevância numa altura em que as questões da autenticidade, da confiança e da ligação humana estão cada vez mais presentes.

O futebol não é perfeito. Mas as emoções são reais, os resultados são incertos e as comunidades constroem-se com experiências vividas em conjunto. Quando cada vez mais experiências podem ser geradas, simuladas ou personalizadas, o valor de algo verdadeiramente partilhado pode aumentar.

## O papel dos clubes e dos dias de jogo

Os clubes têm aqui uma grande oportunidade, que traz também responsabilidade. O futebol é um dos poucos espaços sociais onde pessoas de idades, origens e percursos diferentes se juntam com regularidade à volta de uma identidade comum. No estádio, as emoções vivem-se em grupo. As pessoas festejam, sofrem, têm esperança e às vezes discordam.

Com uma vida quotidiana cada vez mais digital e individualizada, estas experiências partilhadas podem ganhar ainda mais significado. Mas os clubes não devem partir do princípio de que este sentido de comunidade se mantém por si.

Temos de criar ativamente as condições para que as pessoas se sintam bem-vindas, seguras e incluídas. Temos de continuar acessíveis às gerações mais novas, perceber como mudam as expectativas e garantir que a identidade do clube continua a dizer alguma coisa a quem o apoia. É aqui que iniciativas como o Conselho Consultivo do Futuro ganham relevância. Se os jovens puderem ajudar a moldar o clube hoje, é mais provável que se sintam ligados a ele amanhã.

Os clubes de futebol são lugares onde as pessoas veem futebol e também onde criam memórias, constroem relações e ganham um sentimento de pertença que pode durar a vida inteira. O futuro do futebol vai depender da forma como entretemos a próxima geração e também da forma como a envolvemos, a ligamos ao clube e lhe damos um sentimento real de pertença.

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¹ Robinson, O. C. (2012). Values and adult age: findings from two cohorts of the European Social Survey. European Journal of Ageing, 10(1), 11–23. https://doi.org/10.1007/s10433-012-0247-3

Texto adaptado de uma entrevista de Leonie Hauptvogel a Thomas Maurer, publicada pela Football Business Inside (FBIN) a 30 de outubro de 2026.
