# Braga, Estrela e Wrexham mostram caminhos de crescimento no Portugal Football Summit

> O investimento em estádios e centros de treino, a escolha de parceiros para as SAD e a expansão comercial dos clubes marcaram o segundo dia do encontro em Oeiras.

- Publicado: 2026-09-24 21:47
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O segundo dia do [Portugal Football Summit](https://portugalfootballsummit.com/agenda), realizado esta quinta-feira, 24 de setembro, na Cidade do Futebol, em Oeiras, mostrou duas formas de aumentar o valor de um clube: investir nos espaços que recebem os adeptos e levar a sua história a públicos que estão longe do estádio. O plano anunciado pelo SC Braga e o caso do Wrexham deram exemplos concretos a uma agenda marcada também pela centralização dos direitos audiovisuais e pelas novas formas de distribuição de conteúdos.

## Braga quer multiplicar receitas do estádio

António Salvador [apontou um investimento de cerca de 50 milhões de euros](https://www.abola.pt/noticias/salvador-anuncia-50-milhoes-para-renovar-estadio-do-sc-braga-2026092411452414600) para remodelar o Estádio Municipal de Braga. O presidente do clube disse que está a negociar com a Câmara Municipal a compra do recinto e que a infraestrutura precisa de melhores condições para os adeptos e de mais capacidade comercial.

Segundo Salvador, o estádio gera atualmente cerca de **2,5 milhões de euros por ano**. O objetivo é elevar essa receita para **12,5 a 15 milhões de euros anuais**, através da remodelação e de uma melhor exploração do espaço. O dirigente defendeu ainda que a [centralização dos direitos televisivos](https://rr.pt/bola-branca/noticia/futebol-nacional/2026/09/24/salvador-pede-mais-visao-a-longo-prazo-centralizacao-nao-ajuda-nada-sem-um-modelo-sustentavel/486631/) só será útil se vier acompanhada de um modelo sustentável para os clubes.

O [Estrela da Amadora apresentou outra aposta nas infraestruturas](https://www.record.pt/futebol/portugal-football-summit/detalhe/novo-presidente-da-sad-do-estrela-aponta-a-europa-apos-investimento-em-infraestruturas). Johannes Mösmang, novo presidente da SAD, anunciou a intenção de construir, nos próximos dois anos, um centro de treinos para a equipa principal e os escalões sub-23 e sub-19, além de modernizar o Estádio José Gomes. O plano desportivo é estabilizar primeiro o clube a meio da tabela e, num horizonte de três a quatro anos, disputar o acesso às provas europeias. São objetivos anunciados pelo dirigente, dependentes da execução do projeto.

Na discussão sobre capital externo, [Rui Rodrigues, presidente do Vitória SC](https://www.record.pt/futebol/portugal-football-summit/detalhe/rui-rodrigues-e-a-vsports-nao-quero-investidores-quero-um-parceiro-com-o-mesmo-sonho-e-objetivo), defendeu a continuidade da relação com a VSports. Considera o investimento estrangeiro inevitável no futebol português, mas disse procurar um parceiro que partilhe os objetivos do clube, alertando para os riscos de escolhas que comprometam a estabilidade das sociedades desportivas.

## Wrexham: da comunidade ao alcance mundial

Robert Faulkner, diretor de Negócios e Comunicação do Wrexham, explicou como o [documentário sobre o clube](https://portugalfootballsummit.com/blog/incrivel-historia-wrexham) ajudou a levar uma história local a uma audiência global. O dirigente sublinhou que a comunidade de adeptos já tinha mobilizado recursos para salvar o emblema antes da entrada de Ryan Reynolds e Rob McElhenney e que preservar essa relação continua a orientar decisões, incluindo os preços dos bilhetes.

Faulkner afirmou que a conta do clube passou de cerca de **50 mil para cinco milhões de seguidores** ao longo da sua ascensão desportiva e mediática. Segundo os números que apresentou, os patrocínios na camisola do Wrexham já valem mais do que os de sete clubes da Premier League. O crescimento levou também a investimentos no relvado, no centro de treinos e na academia. A ambição declarada é chegar à Premier League, mas o caso apresentado em Oeiras mostrou sobretudo como notoriedade, patrocínios e capacidade operacional têm de crescer em conjunto.

## Direitos, criadores e experiência dos adeptos

A venda conjunta dos direitos voltou ao debate no painel sobre o futuro da centralização. André Mosqueira do Amaral, diretor executivo da Liga Portugal, [descreveu-a como um ponto de partida](https://www.fpf.pt/pt/News/Todas-as-not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/news/57941) para melhorar a produção, a distribuição e a relação com os adeptos. Reconheceu que boa parte da interação nas redes sociais chega do estrangeiro, mas ainda não é monetizada. José Miguel Albuquerque, CEO do Alverca, defendeu uma produção televisiva uniforme, o combate à pirataria e regras que garantam que as novas receitas sejam investidas na melhoria do produto. Rui Alves, presidente do Nacional, contestou o modelo previsto: receia que a distribuição perpetue a desigualdade entre clubes e pediu uma avaliação independente e mecanismos de proteção para os mais pequenos.

Na economia dos conteúdos, o [painel de criadores](https://portugalfootballsummit.com/blog/celine-dept-cristiano-brought-light-in-to-my-life) mostrou a importância de canais capazes de chegar a públicos diferentes dos da televisão tradicional. Michiel Callebaut apontou o YouTube e as visualizações como base do seu modelo; os intervenientes defenderam que clubes e marcas precisam de definir o objetivo da colaboração com criadores para que a audiência se traduza em valor.

A experiência de quem acompanha o jogo também apareceu na discussão tecnológica. Harry Lennard, da Genius Sports, [apresentou o sistema de fora de jogo semiautomático](https://portugalfootballsummit.com/blog/harry-lennard-we-are-working-with-a-fully-automated-digital-genius) e afirmou que reduziu, em média, em 33% o tempo necessário para uma decisão de fora de jogo. A rapidez e a clareza dessas decisões, defendeu, são relevantes para os adeptos no estádio e diante dos ecrãs.

Na gestão desportiva, [José Boto explicou a abordagem do Flamengo](https://www.flamengo.com.br/flamengo/noticias/futebol/jose-boto-participa-do-portugal-football-summit-em-portugal): o diretor de futebol coordena diariamente equipas multidisciplinares, para lá do trabalho de recrutamento. O dirigente afirmou que o clube mantém a estratégia definida pela direção mesmo sob pressão de comentadores e criadores digitais, e que contrata sobretudo para melhorar o rendimento da equipa, não para vender jogadores.

## Crescimento também começa na base

Os debates das associações regionais trouxeram outra escala de investimento. A [AF Viana do Castelo](https://www.fpf.pt/pt/News/Todas-as-not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/news/57937), com mais de 60 clubes e sete mil atletas federados, disse ter equipado os clubes com câmaras para transmitir jogos e apoiar a formação de treinadores. Nos [Açores](https://www.fpf.pt/pt/News/Todas-as-not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/news/57943), os dirigentes das três associações apontaram os custos das deslocações entre ilhas e a falta de instalações como obstáculos ao crescimento, sobretudo do futebol feminino. Em [Castelo Branco](https://www.fpf.pt/pt/News/Todas-as-not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/news/57942), a associação destacou o aumento de praticantes de futsal de base, mas alertou para a perda de jovens em vários escalões do futebol.

A inclusão passou ainda da intenção à organização. A UEFA [explicou como mede as suas políticas](https://www.fpf.pt/pt/News/Todas-as-not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/news/57940) de direitos humanos e acessibilidade; no painel da Fundação FPF, [Miguel Barbosa anunciou](https://www.fpf.pt/pt/News/Todas-as-not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/news/57939) o primeiro campeonato nacional de futebol para amputados ainda este ano. A experiência dos adeptos com deficiência, da compra do bilhete à chegada ao estádio, também foi discutida. Já a [associação dos médicos de futebol](https://www.fpf.pt/pt/News/Todas-as-not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/news/57936) pediu melhores condições de trabalho e recordou os cursos de emergência e a distribuição de desfibrilhadores pelas associações distritais.

O segundo dia mostrou que o crescimento se decide em vários níveis: no capital e nos parceiros escolhidos pelos clubes, na capacidade de transformar estádios e conteúdos em receitas, e nas condições de quem forma jogadores e recebe adeptos. Os planos anunciados em Oeiras terão de se traduzir em infraestruturas, melhores transmissões e oportunidades de participação para que o valor criado chegue a todo o futebol.
