# De Abu Dhabi a Wall Street: como o capital reescreveu as finanças do futebol na última década

> SPV, multiclube e capital norte‑americano impulsionaram profissionalização e liquidez; valorização média supera operações ainda deficitárias em exploração

- Publicado: 2026-08-19 08:21
- Tags: Financas, Estados Unidos, Cvc, Italia, Espanha, Serie A, Laliga, Major League Soccer Mls, Franca, Reino Unido, Mexico, Sportico, Laliga Ea Sports, Liga F, Goldman Sachs, Oaktree Capital Management, Abu Dhabi, Red Bull, Intelligence 2p, Bristol City Women, Fc Badalona Women, Fc Como Women, Mercury 13, Brookfield, Fc Inter, World Football Summit Wfs, 23 Capital, City Football Group Cfg, Eagle
- Fonte original: [2Playbook](https://www.2playbook.com/mas-deporte/holding-golfo-wall-street-ha-evolucionado-financiacion-futbol-en-diez-anos_23309_102.html)
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## O que aconteceu

A Brookfield concluiu a compra de 100% da Oaktree Capital Management, passando a controlar, entre outros ativos, o FC Inter, campeão da Serie A. O caso ilustra a transformação do financiamento no futebol em dez anos: entrada de fundos institucionais, uso de estruturas como **veículos de propósito especial (SPV)** para segregar receitas previsíveis (direitos de transmissão e patrocínios) e expansão do modelo **multiclube/holding**, com forte peso de capital dos Estados Unidos.

### Por Que Importa

- A indústria tornou‑se mais “financiável”: SPV e contratos de longo prazo reduziram risco para bancos e fundos, desbloqueando **liquidez mesmo em choques** (ex.: pandemia).
- A rentabilidade histórica de propriedades desportivas (~**15%/ano** em 25 anos, segundo Goldman Sachs) atraiu capital privado e fundos soberanos, apesar de **perdas operacionais** frequentes nos clubes.
- A concorrência por ativos estendeu‑se além da elite: clubes médios/bem posicionados na pirâmide oferecem **alto potencial de revalorização**.
- O capital norte‑americano ganhou influência regulatória e estratégica nas ligas europeias, pressionando por **maior controlo financeiro** e sustentabilidade.

### Contexto

- Em 2016, o futebol ainda era visto como mecenato/vaidade; hoje é tratado como **ativo institucional**, sem barreiras relevantes quanto à origem do capital ou modelo de gestão.
- A Covid‑19 testou o novo enquadramento: com garantias sobre receitas segregadas, clubes acederam a **crédito imediato** (incluindo apoios estatais, como os ICO em Espanha) e aceleraram monetizações (ex.: **LaLiga–CVC, Plan Impulso**).

### Entre Linhas

- O modelo multiclube escalou de ~100 clubes (2019) para **400+ (2026)**, mas mostra sinais de fadiga: grupos robustos como **City Football Group** e **Red Bull** consolidaram‑se; outros enfrentam **stress financeiro** (ex.: 777 Partners; disputas em torno da Eagle/John Textor).
- No feminino, fundos como **Mercury 13** replicam a lógica de rede (Liga F – FC Badalona Women; Serie A – FC Como Women; Bristol City Women na 2.ª inglesa), antecipando **sinergias comerciais e de talento**.

### Números

- Valor médio de uma franquia da MLS: **767 M$ (≈650 M€)**; mediana de clubes na LaLiga EA Sports: **258 M€** (Sportico; Intelligence 2P).
- Brookfield: **>1 bilião de dólares** em ativos sob gestão (≈870.000 M€).

### E agora?

- Dilema central: **fundos com horizontes curtos de retorno do investimento (ROI)** a coexistirem com clubes cuja **valorização social e de adepto** é de longo prazo. O ajuste regulatório e de governação será decisivo para a próxima fase.
