# Como 1907 transforma-se em negócio de consumo: receitas partilhadas, hospitalidade premium e estádio de €64M

> Clube italiano, adquirido por €850 mil em 2019, sobe à Liga dos Campeões e troca patrocínios clássicos por parcerias operacionais — com metas de break-even já no próximo ano.

- Publicado: 2026-07-15 08:47
- Tags: Financas, Champions League, Uefa, Liga Dos Campeoes, Italia, Juventus, Uber, Milao, Aston Villa, Ac Milan, Como 1907, Como, Lago De Como, Serie B Italiana, Isle Of Wight, La Lakers
- Fonte original: [Charlie Stebbings / The Business of Sport (Substack)](https://businessofsport.substack.com/p/inside-the-most-ambitious-project)
- Versão HTML: https://www.futebolnegocios.com/2026/07/15/como-1907-transforma-se-em-negocio-de-consumo-receitas-partilhadas-hospitalidade-premium-e-estadio-de-euro64m/

## O que aconteceu

O Como 1907, comprado por **€850 mil** em 2019, qualificou-se para a Liga dos Campeões e rejeitou propostas de nove dígitos (valores não divulgados). Sob a liderança executiva de Mirwan Suwarso e com **Cesc Fàbregas** no comando técnico, o clube redesenhou o seu modelo: menos “clube de futebol” tradicional, mais **negócio de consumo** ancorado no destino turístico do Lago de Como. O plano inclui um novo estádio de **€64 milhões** (15.000 lugares) e parcerias com partilha de receita, como a operação local da Uber.

### Por Que Importa

- Modelo de receitas: de patrocínios por “espaço” para **parcerias operacionais com distribuição e integração de produto**, capturando participação em receitas (ex.: Uber Boats e Uber Maserati no território).
- Monetização do destino: hospitalidade e experiências premium elevam a **receita de bilheteira de ~€5M para €14–15M**, sem grande aumento de lugares; lugares de topo a **€2.500** convivem com bilhetes comunitários de **€20**.
- Eficiência de custos vs. direitos: em Série B, direitos televisivos (~**€5M/ano**) não cobriam um plantel de **€11–15M**; o clube migrou para fluxos alternativos (restauração, turismo, plataformas próprias).
- Regulação financeira: o clube admite **não estar plenamente conforme** com a UEFA (não confirmado o detalhe), assume multas como custo controlado e aponta para **equilíbrio operacional no fim da próxima época**.

### Números

- Aquisição: **€850 mil** (2019).
- Estádio proposto: **€64M**, 15.000 lugares, com **6 restaurantes frente ao lago** e um rooftop bar que projetam **€25M/ano** por si só.
- Hospitalidade: de ~100 para ~1.000 lugares via vilas e barco; experiências até **€2.500**.
- Bilhetes comunitários: **€20**.
- Uber: contrato inicial < **€1M**; renovação > **€10M**, com o mesmo inventário mas novo enquadramento operacional.
- Turismo local: de **1,9M** para **5,6M** de visitantes/ano.

### Entre Linhas

- Estratégia “entretenimento primeiro”: ambição de ser “os **LA Lakers** do futebol italiano” — foco na experiência e no destino para suavizar a pressão por resultados.
- Governação desportiva: “senado” de recrutamento com dados (60–70% de orientação), análise comportamental e teste financeiro antes do aval de Fàbregas; plano de jogo escrito 24h antes e relatório pós-jogo reduzem **interferência acionista**.

### E agora?

- Aprovação e execução do estádio serão teste chave à tese de **rendimento por lugar** vs. volume.
- Observação da UEFA durante a campanha europeia poderá clarificar a **tolerância regulatória** a modelos de crescimento acelerado.
