# Série A sob pressão: despesas superam receitas e dependência de vendas cresce

> Liga italiana entra em desequilíbrio operacional em 2024/25; estádios obsoletos, governança frágil e menor investimento no plantel corroem competitividade e receitas.

- Publicado: 2026-06-14 09:38
- Tags: Financas, Estados Unidos, Uefa, Liga Dos Campeoes, Roma, Italia, Portugal, Serie A, Turquia, Australia, Milao, As Roma, Paises Baixos, Ac Milan, Liga Conferencia, Como 1907, Liga Europa, Inter Milan, Juventus Fc, Primeira Liga, Eredivisie, La Gazzetta Dello Sport, Super Lig, Parma Calcio 1913, Leap Sport Academy
- Fonte original: [Off The Pitch](https://www.linkedin.com/pulse/financial-difficulties-scandals-disappointing-results-make-qcgwe/)
- Versão HTML: https://www.futebolnegocios.com/2026/06/14/serie-a-sob-pressao-despesas-superam-receitas-e-dependencia-de-vendas-cresce/

## O que aconteceu

A Série A italiana encerrou 2024/25 com **despesas médias (€161,6M) acima das receitas (€160,4M)** pela primeira vez desde a Covid-19. Em 2025/26, a liga enfrentou maus resultados europeus (saídas prematuras nas competições da UEFA), polémicas de arbitragem com suspensão do chefe de árbitros de Série A e B, e a demissão do presidente da federação (FIGC), Gabriele Gravina. Em paralelo, o presidente da Série A, Ezio Simonelli, pediu alinhamento político para destravar receitas, incluindo projectos de estádios.

### Por Que Importa

- Margens em erosão: **despesas +11% desde 2022/23** vs receitas +6,1% pressiona caixa e limita investimento desportivo.
- Modelo de negócio desequilibrado: clubes recorrem a **vendas de jogadores** para fechar contas; em 2024/25, lucros de vendas médias (€44M) cobriram **102% da amortização** (€43M).
- Activos subaproveitados: **estádios datados** travam receitas de bilhética, hospitalidade e eventos; processos burocráticos e políticos travam novos projectos.
- Competitividade europeia em risco: menos investimento em plantel e saída de talentos **enfraquecem a proposta comercial** (direitos, patrocínios, audiência internacional).

### Contexto

- Tentativa de internacionalização falhada: jogo **AC Milan–Como 1907** na Austrália foi cancelado por “complicações de última hora” — oportunidade perdida, segundo Simonelli.
- Casos de integridade: nova crise na arbitragem reacende memórias do **Calciopoli** (há 20 anos), afectando a **confiança do mercado** e a valorização de direitos.
- Governança e infraestruturas: segundo **Valerio Casagrande** (ex-CFO do Parma) e **Marco Iaria** (La Gazzetta dello Sport), **burocracia, constrangimentos arqueológicos e política** atrasam Roma e San Siro, travando crescimento de receitas.

### Números

- Receitas médias por clube (2024/25): **€160,4M**; despesas: **€161,6M**.
- Receitas comerciais e de dia de jogo: +6% e +8% desde 2022/23; **transmissões** (emissão televisiva) estáveis.
- Top-4 da Série A: receitas +<8% em 2022/23–2024/25; investimento em plantel (salários + amortização) **-1,2%**.
- Transferências: 2/3 das maiores vendas 2022/23–2024/25 foram para o estrangeiro (ex.: Højlund, Kvaratskhelia, de Ligt, Tonali).
- Resultados líquidos médios por clube: perdas reduziram de **€22,4M (2022/23)** para **€15,5M (2024/25)**, à custa de mais-valias em vendas.

### Entre Linhas

- Ligas “perseguidoras” — **Primeira Liga (Portugal)**, **Süper Lig (Turquia)**, **Eredivisie (Países Baixos)** — **crescem mais depressa** em receitas e investimento, encurtando distâncias, apesar de ainda ficarem bem abaixo da Série A em volume absoluto. Ajustes inflacionários na Turquia podem inflacionar números.

### E agora?

- Alinhamento público-privado para estádios e **diversificação de receitas não televisivas** serão críticos.
- Reduzir dependência de vendas de jogadores para sustentar **qualidade desportiva** e valor comercial a médio prazo.
- Reforçar **compliance e integridade** para proteger a valorização de direitos e patrocínios.
