# Propriedade multi-clube no futebol feminino: o paradoxo financeiro exposto pelo caso Alexia Putellas e Michele Kang

> A saída de Alexia do Barcelona reacende o debate: investimento agressivo e redes multi-clube podem acelerar o crescimento — mas com riscos para integridade competitiva e governação.

- Publicado: 2026-05-28 08:36
- Tags: Financas, Inglaterra, Estados Unidos, Champions League, Uefa, Fifa, Liverpool, Manchester City, Espanha, Franca, Real Madrid, La Liga, Futebol Feminino, Chelsea, Colombia, London City Lionesses, Washington Spirit, Manchester United, Emirados Arabes Unidos, Arsenal, Blackburn Rovers, West Ham United, Us Soccer, Reading, Monarch Collective, Liga Dos Campeoes Feminina, Saudi Aramco, Mercury13, Oslo, Ullevaal Stadion, Jamaica, Fc Barcelona Femeni, Fc Girondins De Bordeaux, Wsl Womens Super League, Nwsl National Womens Soccer League, Bromley, Cobdown Park, Sudao, Ol Lyon, Asj Soyaux, Kynisca, Deloitte Money League, Cognosante, Visit Saudi, Deel, Barca Foundation, Gran Tierra Energy
- Fonte original: [The Athletic (Megan Feringa)](https://www.nytimes.com/athletic/7308744/2026/05/27/michele-kang-alexia-putellas-champions-league-womens-football/)
- Versão HTML: https://www.futebolnegocios.com/2026/05/28/propriedade-multi-clube-no-futebol-feminino-o-paradoxo-financeiro-exposto-pelo-caso-alexia-putellas-e-michele-kang/

## O que aconteceu

Após a final da Liga dos Campeões feminina em Oslo, a discussão centrou‑se menos no 4-0 do Barcelona ao OL Lyon e mais no poder financeiro de Michele Kang. A empresária, dona de uma rede multi‑clube que inclui OL Lyon, Washington Spirit e London City Lionesses, tem sido criticada por estratégias de investimento e recrutamento de alto impacto — incluindo uma proposta considerada apelativa a Alexia Putellas após a sua saída do Barcelona — reacendendo o debate sobre propriedade multi‑clube no futebol feminino.

### Por Que Importa

- Integridade competitiva: a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) sinalizou que equipas sob a mesma propriedade não devem disputar a mesma competição europeia, visando evitar conflitos de interesse e manipulação de fluxos de talento.
- Poder financeiro concentrado: redes multi‑clube podem criar um “clube fechado” no topo, elevando barreiras de entrada e pressionando salários e transferências sem enquadramento regulatório claro.
- Sustentabilidade vs. défices: projetos como o OL Lyon operam com défice anual (valores não divulgados), enquanto clubes históricos apelam por mais investimento — evidenciando um ecossistema desequilibrado entre receitas e ambição.
- Patrocínios e influência: a presença de Kynisca (organização de Kang) em iniciativas e investimentos (ex.: apoio a programas de desenvolvimento nos EUA) levanta questões sobre fronteiras entre financiamento, governação e potencial conflito de interesses.

### Números

- Orçamento salarial do Barcelona feminino em 2023/24: **€14,75 M**.
- Receitas anuais (Deloitte Money League): Barcelona **€22 M**; Arsenal **€25,6 M**; Chelsea **€25,4 M**.
- Valor de empresa estimado do OL Lyon feminino: **€49,0 M (€54 M USD, conversão aproximada)**.

### Contexto

- Argumentos pró multi‑clube: partilha de conhecimento, carteira de patrocínios e capital para infraestruturas historicamente em falta nas equipas femininas.
- Ceticismo: prioridades dentro do portefólio podem transformar alguns clubes em “satélites” ao serviço de um “ativo coroado”, afetando desenvolvimento local e previsibilidade competitiva.
- Infraestruturas: o London City recebeu luz verde para um centro de treino avançado em Cobdown Park, incluindo academia e vias de formação regionais — um teste ao impacto real de investimento em base.

### Entre Linhas

- Incoerência do mercado: crítica a “novo dinheiro” coexiste com queixas de subinvestimento em marcas de topo (Manchester United, Liverpool, Real Madrid), refletindo falta de um modelo comum de financiamento e retorno do investimento (ROI) no feminino.
