# Relógio a contar para o “New Deal”: Premier League e EFL adiam acordo e risco de imposição cresce

> Sem consenso desde 2019, a Premier League e a English Football League podem ver um pacote de redistribuição imposto pelo regulador independente. Solidariedade, “parachute payments” e partilha de direitos no centro da disputa.

- Publicado: 2026-04-24 09:06
- Tags: Financas, Inglaterra, Estados Unidos, Premier League, Reino Unido, Nova Iorque, Wembley, English Football League, Img, Womens Super League, National League, Professional Footballers Association, Singapura, Mumbai, Carabao Cup, Beijing, Football Dataco, Kick It Out, Football Foundation, League Managers Association
- Fonte original: [The Athletic (via Matt Slater)](https://www.nytimes.com/athletic/7205843/2026/04/24/premier-league-efl-deal-finance-regulator/)
- Versão HTML: https://www.futebolnegocios.com/2026/04/24/relogio-a-contar-para-o-new-deal-premier-league-e-efl-adiam-acordo-e-risco-de-imposicao-cresce/

## O que aconteceu

A Premier League e a English Football League (EFL) continuam sem fechar o “New Deal for Football”, a nova fórmula de repartição de receitas que deveria substituir o acordo de 2019. O presidente do futuro Regulador Independente do Futebol (IFR) tem alertado para um “relógio a contar” até uma solução negociada deixar de ser viável, levando a uma decisão imposta. Face ao impasse, tudo indica a renovação do modelo atual por um oitavo ano.

### Por Que Importa

- Risco regulatório: um acordo imposto pelo regulador poderá **redefinir regras de distribuição** e condicionar estratégias de investimento dos clubes.
- Pressão orçamental na base: a EFL alega que o fosso financeiro face à Premier League compromete **sustentabilidade e competitividade**, acentuando perdas operacionais crónicas.
- Direitos e receitas: a Premier League projeta receitas centrais superiores a **£4 mil milhões (≈€4,61 mil milhões)** na próxima época, com debates sobre **pooling** de direitos e aumento de pagamentos de solidariedade.
- Paridade competitiva: os **parachute payments** a relegados distorcem a Championship, segundo a EFL, influenciando salários, risco financeiro e resultados desportivos.

### Números

- Receitas centrais previstas da Premier League: cerca de **€4,61 mil milhões (£4 mil milhões)**/época; ~80% distribuídos pelos 20 clubes.
- Custos operacionais da liga: ~6% (~**€253 M (£220 M)**) + 1% para crescimento estratégico.
- Transferências: taxa de 4% gera ~**€144 M (£125 M)**/ano para formação, pensões e programas de desenvolvimento (maioritariamente financiada por clubes da Premier League).
- Contributos anuais diretos/indiretos para a EFL (exclui parachutes): ~**€294 M (£255 M)**, incluindo solidariedade (~**€173 M (£150 M)**), academias (~**€52 M (£45 M)**), Football DataCo (~**€46 M (£40 M)**) e programas comunitários (~**€23 M (£20 M)**).
- “Parachute payments”: ~**€259 M (£225 M)**/ano (estimativa citada), quase metade do total que flui para fora da Premier League.

### Contexto

- Em 1992, a cisão criou duas entidades: a Premier League passou a **negociar autonomamente** direitos comerciais e de transmissão, mantendo subida/descida desportiva.
- A EFL propõe: aumentar solidariedade, **pooling** de direitos com 25% para a EFL, reintroduzir distribuição por mérito dentro das suas divisões, reforçar controlo de custos e **eliminar os parachutes**.
- A Premier League admite reforçar solidariedade e discutir **pooling**, mas resiste a abolir parachutes, vistos como amortecedor financeiro à descida.

### E agora?

- Se o impasse persistir, o IFR pode **impor um modelo de repartição**, afetando previsões de receita, avaliações de clubes e políticas salariais.
- A continuidade do formato atual favorece a **estabilidade de topo**, mas prolonga a fragilidade financeira de vários clubes EFL e mantém a litigância política em aberto.
