# Netflix aposta em vídeo‑podcasts para disputar minutos de atenção ao YouTube

> Plataforma fecha acordos de licenciamento com The Ringer/Spotify, iHeartMedia e Barstool Sports para mais de 30 programas em vídeo, reforçando oferta de conteúdos de baixo custo e alta retenção.

- Publicado: 2026-02-24 10:22
- Tags: Direitos Tv, Estados Unidos, Portugal, Nfl, Eua, Youtube, Spotify, Netflix, Google, Nielsen, Tiktok, The Ringer, Iheartmedia, Barstool Sports, Oscares
- Fonte original: [Sportico / Substack (Jacob Feldman)](https://substack.com/home/post/p-186308279)
- Versão HTML: https://www.futebolnegocios.com/2026/02/24/netflix-aposta-em-videopodcasts-para-disputar-minutos-de-atencao-ao-youtube/

## O que aconteceu

A Netflix fechou acordos de licenciamento para trazer mais de **30 vídeo‑podcasts** para a sua aplicação, incluindo The Bill Simmons Podcast (desde 11 de janeiro) e Pardon My Take (12 de janeiro). Os áudios permanecem disponíveis noutras plataformas, mas os formatos em vídeo tornam‑se exclusivos na Netflix. A empresa trabalha ainda em programas originais com Michael Irvin e Pete Davidson (sem distribuição apenas em áudio) e prepara uma atualização móvel com clipes em feed vertical ao estilo de plataformas de transmissão online (explicado na primeira menção) como o TikTok.

### Por Que Importa

- Disputa pela atenção: o objetivo é capturar **minutos fora do prime time** (trabalho, deslocações), onde o YouTube lidera, ampliando a **frequência de uso** da app Netflix.
- Eficiência de custos: vídeo‑podcasts oferecem **horas de conteúdo a custos inferiores** aos de séries/filmes, melhorando o retorno do investimento (ROI) em retenção e redução de churn (cancelamentos).
- Aquisição de audiências: acordos com The Ringer/Spotify, iHeartMedia e Barstool trazem **comunidades de fãs já consolidadas**, potenciando cruzamento com documentários desportivos e true crime, géneros fortes na Netflix.
- Estratégia de televisão conectada: ao mover talentos que rendiam no YouTube para um **jardim fechado pago**, a Netflix tenta converter **consumo gratuito** em **valor de subscrição** e preparar terreno para modelos híbridos com publicidade.

### Contexto

- Em dezembro, segundo a Nielsen (EUA), o YouTube deteve **12,7%** das horas de visualização em TV, com a Netflix em **9%**; em horário nobre, a diferença caiu para cerca de **4 p.p.** a favor do YouTube no verão passado.
- O YouTube consolidou‑se como maior plataforma de podcasts em vídeo, com **+1.000 milhões** de utilizadores mensais neste formato, e reforçou presença em TV conectada com direitos como o **NFL Sunday Ticket** e, a partir de 2029, os **Óscares**.

### Entre Linhas

- Ao apostar em vídeo‑podcasts, a Netflix procura **aumentar o tempo total de visionamento** com conteúdos de “segunda atenção” (ver/ouvir em background), crucial para métricas internas e poder negocial junto de talentos e parceiros.
- A migração de criadores do **acesso gratuito** do YouTube para a **paywall** da Netflix pode gerar resistência em segmentos mais jovens; o sucesso dependerá da **habituação** a consumir talk shows dentro da Netflix.

### E agora?

- Espera‑se expansão para **true crime** e mais desporto, acompanhada por **clipes curtos** para descoberta dentro da app. Termos financeiros dos acordos: **valores não divulgados**.
