# DBRS Morningstar: estagnação dos direitos de transmissão força clubes a apostar em estádios e patrocínios até 2029

> Agência de rating prevê peso recorde de receitas comerciais e de dia de jogo, com a Liga espanhola como rara exceção na valorização televisiva. Regulamentação da UEFA sustenta disciplina financeira.

- Publicado: 2026-01-15 11:30
- Tags: Financas, Estados Unidos, Uefa, Fifa, Europa, Portugal, Espanha, Franca, Ligue1, Ligue 1, Cvc Capital Partners, Sporting Cp, Dbrs Morningstar, Sl Benfica, Catar, Liga Espanha
- Fonte original: [Calcio e Finanza / DBRS Morningstar (estudo)](https://www.calcioefinanza.it/2026/01/14/evoluzione-ricavi-club-2029-stadi-sponsor-diritti-tv/)
- Versão HTML: https://www.futebolnegocios.com/2026/01/15/dbrs-morningstar-estagnacao-dos-direitos-de-transmissao-forca-clubes-a-apostar-em-estadios-e-patrocinios-ate-2029/

## O que aconteceu

A DBRS Morningstar analisou a evolução das receitas dos clubes europeus entre 2022/23 e 2028/29 e concluiu que a estagnação dos direitos de transmissão está a deslocar o crescimento para receitas comerciais e de dia de jogo ligadas aos estádios. No cenário traçado, a Liga em Espanha é exceção, com novo ciclo nacional a subir 9% face ao anterior, embora abaixo da inflação do período.

### Por Que Importa

- Mudança estrutural de mix de receitas: em 2028/29, os clubes deverão gerar **43%** em comercial, **30%** em matchday, **16%** em direitos domésticos e **8%** em direitos UEFA, reduzindo a dependência televisiva.
- Investimento em estádios impulsiona **naming rights** (direitos de nome) e patrocínios correlacionados; clubes com arenas renovadas superam pares e mitigam a volatilidade dos media.
- Regras de Sustentabilidade Financeira da UEFA reforçam a disciplina (rácio de custos do plantel e regras de resultados do futebol), fator chave para perfis de crédito e custo de capital.
- França sob risco: menor disciplina doméstica e colapso dos direitos media elevam a necessidade de vendas de jogadores para reequilibrar contas.

### Números

- Projeção 2028/29: Comercial 43% (36% em 22/23); Matchday 30% (20%); Direitos TV domésticos 16% (25%); Direitos TV UEFA 8% (15%); Outros 3%.
- Crescimento esperado: direitos de transmissão ~**2%/ano**; comercial em **médio dígito**; matchday em **alto dígito**.
- Clubes com estádios renovados: **+16,3%** de receitas em 4 anos pós-obras vs **+7,2%** nos restantes.
- Espanha: direitos nacionais +**9%** no novo ciclo quinquenal (ainda abaixo da inflação acumulada, dois dígitos).
- Janeiro pós-Mundial 2022: aquisições líquidas nos 5 grandes campeonatos ~**€600M**, vs ~€300M (jan/2022) e ~€350M (jan/2024).

### Contexto

- 2026 permanece desafiante para emitentes sem apoio das ligas e com estruturas de custos desalinhadas.
- Ligue 1 permite despesa acima dos meios com suporte dos proprietários, desde que haja liquidez para terminar a época — dependência que fragiliza o crédito quando os direitos media caem.
- Em Portugal, **SL Benfica** e **Sporting CP** são referências na geração de mais-valias sustentáveis via formação e vendas; em França, espera-se foco em cessações em 2025/26 para aliviar a massa salarial.

### E agora?

- Mundial FIFA 2026 deverá ser catalisador para um mercado de transferências mais líquido, com reavaliação de jogadores a favorecer **mais-valias** e reforço de balanços.
- Para os credores, a atividade pós-Mundial será variável crítica: afeta visibilidade de fluxos de caixa e métricas de alavancagem do setor.
