# FIFA pressionou clubes europeus a pagar dívidas a emblemas russos sob ameaça de sanções desportivas

> Investigação revela oito casos, incluindo Atalanta, Udinese e Salernitana. Tribunal Arbitral do Desporto travou exigência no dossiê West Ham, mas Zurich manteve a linha dura.

- Publicado: 2026-01-12 09:13
- Tags: Industria, Fifa, Italia, Portugal, Reino Unido, Russia, Ucrania, Udinese, Atalanta, Conference League, Tribunal Arbitral Do Desporto Tas, Bergamo, West Ham, Zurique, Losanna, Salernitana, Lokomotiv Moscovo, Cska Moscovo, Benevento, Rubin Kazan, Basel, Union Espanola, Swift, Raiffeisen Bank, Gazprombank, Fideuram, Ferrovias Russas
- Fonte original: [Marco Sacchi / Calcio e Finanza](https://www.calcioefinanza.it/2026/01/09/fifa-soldi-russia-trasferimenti-rischio-penalita/)
- Versão HTML: https://www.futebolnegocios.com/2026/01/12/fifa-pressionou-clubes-europeus-a-pagar-dividas-a-emblemas-russos-sob-ameaca-de-sancoes-desportivas/

## O que aconteceu

Uma investigação do coletivo Follow The Money, revelada pelo semanário L’Espresso, indica que a FIFA terá pressionado sistematicamente clubes europeus a cumprir pagamentos de transferências a equipas russas após a invasão da Ucrânia, ignorando bloqueios bancários e sanções governamentais. Em pelo menos **oito casos**, três envolvendo clubes italianos (Atalanta, Udinese e Salernitana), o organismo ameaçou **bloqueio do mercado por 18 meses** se as prestações não fossem liquidadas em **45 dias**. O Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) mais tarde deu razão ao West Ham, suspendendo a obrigação de pagar enquanto vigorarem sanções, mas a FIFA não terá alterado a sua prática (não confirmado).

### Por Que Importa

- Risco financeiro: clubes confrontados com a escolha entre **perder janelas de inscrição** (impacto competitivo e de receitas) ou violar leis e sanções, com possível **exposição a processos penais**.
- Incerteza contratual: decisões da FIFA a afirmar que **sanções não extinguem dívidas** colidem com restrições bancárias, elevando custos (juros, honorários legais) e risco de incumprimento.
- Precedente regulatório: a decisão do **TAS** no caso West Ham introduz um **contrapeso jurídico** à posição da FIFA, podendo reabrir litígios e reequacionar provisões contabilísticas.
- Mercado de transferências: o receio de sanções pode **arrefecer negócios com clubes russos**, reduzir liquidez e encarecer garantias/seguros de pagamento.

### Contexto

- Caso West Ham: ordem da FIFA em 31-03-2023 para pagar **€26 milhões** ao CSKA Moscovo por Nikola Vlašić sob pena de proibição de inscrever; o TAS (maio 2025) considerou o pagamento **objetivamente impossível** e criticou “canais alternativos” por contornarem sanções.
- Atalanta-Lokomotiv: transferência de Aleksey Miranchuk (2020) por **€14,5 milhões** em 5 prestações; a FIFA decidiu que a 4.ª prestação (**€2,8 milhões**) devia ser paga com **5% de juros**.
- Udinese-CSKA: dívida de **€4 milhões** por Jaka Bijol; proposta de usar bancos alternativos foi recusada pelo clube, ainda assim **condenado** pela FIFA.
- Benevento-Rubin Kazan: ao inverso, a FIFA também rejeitou a defesa russa por impossibilidade de pagar **€650 mil**, reiterando que sanções não anulam obrigações.

### E agora?

- Clubes podem recorrer mais ao **TAS** para suspender pagamentos enquanto durarem sanções, reduzindo risco de bloqueio do mercado.
- Possível revisão de **modelos contratuais**: cláusulas de força maior específicas para sanções, escrow em jurisdições neutras e seguros de crédito.
- Pressão sobre a FIFA para clarificar um **enquadramento** que concilie autonomia desportiva com o cumprimento de leis nacionais e europeias.
