# Lei da SAF muda o dinheiro no Brasil, mas não (ainda) o conceito de sucesso

> Quatro anos após a lei 14.193/2021, receitas sobem e investidores chegam, mas a cultura de curto prazo limita a transformação desportiva.

- Publicado: 2026-01-08 09:06
- Tags: Financas, Europa, City Football Group, Brasil, Franca, Austria, Reino Unido, Ligue 1, 777 Partners, Efl Championship, Copa Libertadores, Ec Bahia, Primeira Liga, Eredivisie, Eagle Football Group, Cr Flamengo, Campeonato Brasileiro Serie A, Campeonato Brasileiro Serie B, Cr Vasco Da Gama, Belgian Pro League, Botafogo Fr, Coritiba Fbc, Rb Bragantino, Se Palmeiras, Sc Corinthians, Club Athletico Paranaense, Santos Fc, Grupo Independiente Del Valle, Red Bull Gmbh
- Fonte original: [desconhecida](https://footballbenchmark.com/e/blog/28466/422678)
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## O que aconteceu

Em 2026, o futebol brasileiro entra no quinto ano da Lei da Sociedade Anónima do Futebol (SAF), que permite aos clubes migrarem de associações para sociedades comerciais. O modelo já soma **15 clubes** nas Séries A e B (37,5% do total). Houve forte entrada de investimento, novos contratos de televisão e patrocínios de apostas, elevando salários e **transferências próximas de €500M em 2024/25**. Contudo, a prometida transformação cultural e de governação continua incompleta.

### Por Que Importa

- A SAF abriu porta a capital e incentivos fiscais, separando activos de passivos históricos e permitindo emissão de dívida privada — chave para **reperfilar dívidas** e financiar crescimento.
- As **receitas operacionais médias da Série A cresceram 73% (2015–2024) até €69,3M**, colocando o Brasileirão como a 6.ª liga mundial por receitas médias (atrás das “Big Five” europeias, à frente de EFL Championship, Eredivisie, Primeira Liga e Pro League).
- O mercado de jogadores rendeu **€1,5 mil M (2020/21–2024/25)**, com saldo líquido acumulado positivo de ~**€400M**, reforçando a sustentabilidade via formação e venda.
- Sem liga organizada com regras de sustentabilidade e supervisão, a **volatilidade e o curto‑prazo** continuam a travar o retorno do investimento (ROI) dos novos proprietários.

### Números

- Série A 2025: **6 SAF** (30%); Série B: **9 SAF** (45%). Total: **15/40 clubes**.
- Transferências 2024/25: quase **€500M** em compras. Maiores negócios citados: Vítor Roque para SE Palmeiras (**€25,5M**), Thiago Almada para Botafogo FR (**€19,5M**), Carlos Alcaraz para CR Flamengo (**€18M**). Transferências de Danilo (Botafogo FR) e Samuel Lino (CR Flamengo) acima de **€20M** (valores exactos não confirmados no período analisado).
- Investidores estrangeiros: Botafogo FR (Eagle Football/John Textor), CR Vasco da Gama (777 Partners — controlo perdido por questões legais), EC Bahia (City Football Group), Coritiba FBC (Grupo Independiente Del Valle, minoritário). RB Bragantino já operava sob Red Bull GmbH.

### Contexto

- Exemplos de governação consistente como **Flamengo** e **Palmeiras** mostram que planeamento de longo prazo, redução de dívida e receitas diversificadas geram **presença estável** no topo (Série A e Libertadores 2025).
- Grupos multi‑clube (City Football Group, Red Bull) capitalizam **inteligência local** e processos padronizados, obtendo vantagem competitiva.

### E agora?

- O sucesso no era SAF exige **disciplina estratégica**, métricas próprias e processos sobre indivíduos: escolha de treinadores, política de contratações, e integração da formação.
- Sem um enquadramento de liga que imponha **fair play financeiro** (não confirmado) e boas práticas de governação, a SAF tende a agregar capital sem reformar cultura e decisões dentro de campo.
