# Real Madrid prepara abertura a investimento externo mantendo controlo dos sócios

> Florentino Pérez quer levar à assembleia uma reorganização societária que separe operações comerciais do futebol e possibilite entrada de capitais, sem perda de comando pelos sócios.

- Publicado: 2025-10-16 06:33
- Tags: Financas, Bundesliga, Uefa, Nfl, Espanha, Laliga, Real Madrid, La Liga, Barcelona, Madrid, Sixth Street, Santiago Bernabeu, Legends, Deloitte, Athletic Club, Osasuna, Providence, Key Capital Partners, Clifford Chance, Taylor Swift
- Fonte original: [The Athletic (Dermot Corrigan)](https://www.nytimes.com/athletic/6715978/2025/10/16/real-madrid-ownership-model-change-vote/)
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## O que aconteceu

O Real Madrid está a acelerar planos para alterar, de forma histórica e controversa, o seu modelo de propriedade: pela primeira vez, permitir a entrada de investidores externos. A proposta, a apresentar por Florentino Pérez na próxima assembleia (prevista até final de novembro, data não confirmada), passará por separar o **negócio** do **futebol**, abrindo o primeiro a capitais privados, mantendo o clube formalmente nas mãos dos sócios.

### Por Que Importa

- Potencial para captar capital fresco para reforçar a equipa e/ou amortizar a remodelação do Bernabéu, sem “cash-out” individual. Valores e termos ainda **não divulgados**.
- Modelo pode criar novas fontes de monetização (receitas do estádio, patrocínios, licenciamento), preservando o controlo dos sócios — referência ao princípio alemão **50+1** (50% mais um voto).
- Investidores podem ver risco de **baixo controlo** (minorias sem gestão), pressionando a valorização e o custo de capital; monetização de uma quota até 49% pode ser menos atrativa.
- Sinal estratégico numa La Liga dominada por sociedades anónimas desportivas: Barcelona, Athletic e Osasuna são as outras exceções pertencentes a sócios.

### Contexto

- O Madrid é o único clube a superar **€1,0455 mil M (€1,0455 mil milhões; £910 M; US$1,2 mil M)** em receitas em 2023/24 (Deloitte), reforçando capacidade de atrair investidores institucionais.
- Já recorreu a parceiros financeiros para o Bernabéu: Providence (€200 M + €50 M), Sixth Street (€360 M) e Legends (retalho e F&B), com criação de uma empresa ‘Bernabéu’ para atividades não futebolísticas.
- Em 2012, os estatutos passaram a exigir 20 anos de antiguidade como sócio e garantia de 15% do **orçamento** anual para candidaturas à presidência (ex.: 15% de €1,1 mil M em 2024/25).

### Entre Linhas

- Discussões com Key Capital Partners e Clifford Chance indicam desenho jurídico-fiscal complexo; separar "negócio" de "futebol" pode reduzir risco regulatório, mas exige enquadramento claro de direitos sobre **receitas de transmissão** e exploração do estádio.
- Bilhética de época a preços relativamente baixos versus pacotes VIP pode colidir com a tese de rentabilização do ativo estádio para investidores; manter a base de **sócios locais** é prioridade política de Pérez.

### E agora?

- A direção deverá detalhar o perímetro do ativo a abrir a investimento (patrocínios, retalho, hospitalidade, eventos, direitos não centralizados) e salvaguardas de governação.
- Referendo aos sócios definirá o mandato para avançar; qualquer solução fora do 50+1 enfrentará resistência reputacional e possível desconto de avaliação por parte de investidores.
