# UEFA pondera flexibilizar prazos nas regras de multipropriedade após caso Crystal Palace

> Debate em torno do limite de 1 de março para provar independência entre clubes pode deslocar-se para junho, alinhando com os sorteios das competições europeias.

- Publicado: 2025-10-14 08:41
- Tags: Industria, Inglaterra, Estados Unidos, Premier League, Uefa, Liverpool, Roma, Portugal, Manchester City, Franca, Olympique Lyonnais, Manchester United, Nice, Liga Conferencia, Hungria, Girona, Irlanda, Liga Europa, European Football Clubs, Crystal Palace, Fa Cup, Community Shield, Eslovaquia, Drogheda United, Dunajska Streda, Gyori Eto, Trivela Group, Tribunal Arbitral Do Desporto Tas
- Fonte original: [Calcio e Finanza / The Guardian (menção no artigo)](https://www.calcioefinanza.it/2025/10/13/regole-uefa-multiproprieta-crystal-palace/)
- Versão HTML: https://www.futebolnegocios.com/2025/10/14/uefa-pondera-flexibilizar-prazos-nas-regras-de-multipropriedade-apos-caso-crystal-palace/

## O que aconteceu

A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) está a avaliar ajustes às regras de multipropriedade, em particular o prazo-limite de **1 de março** para os clubes demonstrarem independência acionista quando entidades relacionadas se qualificam para a mesma prova. A revisão, discutida na assembleia da European Football Clubs (EFC) em Roma, surge após o **Crystal Palace** ter sido despromovido da Liga Europa para a Liga Conferência em 2025/26 por não ter criado a tempo um “blind trust” (fundo cego) que separasse a influência de **John Textor** entre Palace e **Olympique Lyonnais**. O Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) confirmou a decisão.

### Por Que Importa

- Ajustar o prazo para junho (coincidindo com os sorteios) pode evitar **perdas de receitas europeias** por incumprimento formal de calendários, mitigando riscos para clubes e investidores multi-clube.
- Maior previsibilidade regulatória melhora o **valor dos activos** em grupos de multipropriedade e reduz litigância, custos legais e incerteza para patrocinadores e detentores de direitos.
- A aplicação rígida atual já levou a **exclusões e despromoções** com impacto direto em prémios de participação, market pool e receitas de bilhética/transmissão.
- Um modelo mais flexível pode tornar a Europa mais **atrativa para capital internacional**, mas exige salvaguardas para manter a integridade competitiva.

### Contexto

- O mecanismo usado para cumprir a regra tem sido o “blind trust” para uma das sociedades, prática vista antes em estruturas envolvendo clubes como **Girona** e **Nice** (associados, em momentos distintos, a grupos com **Manchester City** e **Manchester United**).
- No caso Palace-Lyon, a UEFA entendeu que a influência de Textor era decisiva em ambos os clubes na data de corte. A posterior venda de 44,9% do Palace a **Robert Wood Johnson** ocorreu já depois da avaliação.
- Outros afetados: **Drogheda United** (Irlanda) e **Dunajská Streda** (Eslováquia) foram excluídos da Liga Conferência por vínculos de propriedade a **Trivela Group** e ao empresário **Oskar Világi** (ligado ao **Győri ETO**), respetivamente.

### E agora?

- A UEFA avalia deslocar a data-limite para os **primeiros dias de junho** (não confirmado), alinhando-a com a fase de qualificação. Se avançar, clubes multi-propriedade terão mais tempo para ajustes societários e governança.
- Continuará a prevalecer o critério de **colocação no campeonato** quando houver conflito entre clubes relacionados que se qualifiquem para a mesma competição, salvo nova alteração regulamentar (não confirmada).
