# Ares concede 12 meses a John Textor após incumprimento de €414 M

> Gestor de capital privado evita executar garantias sobre os activos da Eagle Football; encaixe da venda do Crystal Palace foi canalizado para a dívida

- Publicado: 2025-10-09 07:34
- Tags: Financas, Estados Unidos, Uefa, Italia, Brasil, Franca, Olympique Lyonnais, Londres, Reino Unido, Botafogo, Eagle Football, Ac Milan, Ares Management, Belgica, Liga Conferencia, New York Jets, Uefa Europa League, Uefa Europa Conference League, Rwd Molenbeek, Crystal Palace, Inter Milan, Mclaren Racing
- Fonte original: [Financial Times](https://www.ft.com/content/89b5a583-0803-4ee7-872f-8c374a4c72ac)
- Versão HTML: https://www.futebolnegocios.com/2025/10/09/ares-concede-12-meses-a-john-textor-apos-incumprimento-de-euro414-m/

## O que aconteceu

A Ares Management concedeu uma carta de indulgência de **12 meses** à Eagle Football, de John Textor, após um incumprimento técnico relacionado com mais de **€518 M (US$450 M)** em dívida, com juros anuais até **22%**. A falha, registada em junho de 2023 por atraso no reporte financeiro, constava das contas publicadas no Companies House do Reino Unido. Apesar de ter o direito de executar garantias sobre activos do grupo — que inclui o **Olympique Lyonnais** —, a Ares optou por não exigir reembolso imediato. Em julho, a Eagle vendeu **45%** do **Crystal Palace** por **€219 M (£190 M)** ao proprietário dos New York Jets, com a Ares a captar a maioria do produto da venda.

### Por Que Importa

- Financiamento caro: a Eagle tem cerca de **€346 M (US$300 M)** em dívida “payment-in-kind” (juros capitalizados), a **16%**, mais **€156 M (US$135 M)** a **18%**, e **€31 M (US$27 M)** a **22%** — um perfil que pode **agravar rapidamente o endividamento**.
- Risco sistémico: a Ares, também credora noutros activos desportivos, reforça o papel de fundos de capital privado em **financiamentos de alto risco** no futebol europeu, um padrão que já levou credores a assumirem clubes como **AC Milan** e **Inter**.
- Liquidez via desinvestimentos: a alienação do Crystal Palace funcionou como **amortecedor de caixa** para credores; sinal de que activos premier podem ser usados como **colateral líquido** em estruturas multi-clube.
- Governança e regulação: conflitos de multi-propriedade levaram a **penalizações da UEFA** (demotion do Palace para a Liga Conferência), ilustrando **custos regulatórios** de estratégias de grupo.

### Contexto

- A Ares tornou-se o maior credor ao emprestar cerca de **€461 M (US$400 M)** para a aquisição do **Lyon** em 2022; é também **accionista minoritário** da Eagle Football.
- O regulador francês barrou o Lyon de inscrever jogadores e chegou a **relegá-lo provisoriamente** em junho (decisão depois revertida); John Textor **demitiu-se do conselho** do clube no mesmo mês.
- A dívida está **garantida por praticamente todos os activos** do grupo, e a indulgência é “sujeita a condições” (detalhes não divulgados).

### E agora?

- A janela de 12 meses cria um horizonte para **refinanciamento, venda de activos** ou reestruturação. Sem melhoria de geração de caixa, a Ares pode **executar garantias**.
- A pressão regulatória sobre **multi-propriedade** deverá intensificar-se, afectando **planeamento desportivo** e **acesso a receitas europeias**.
